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Alter do Chão é um dos distritos administrativos do município de Santarém, no estado do Pará. Localizado na margem direita do Rio Tapajós (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter de ESG
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 08h00.
Praias de água doce com areia branca e fina, o rio Tapajós em tons de azul-turquesa e uma brisa suave balançando as castanheiras centenárias.
Alter do Chão, o chamado "Caribe Amazônico", é um dos patrimônios culturais do Pará e um destino que une natureza exuberante, cultura ancestral e a possibilidade de uma viagem transformadora e sustentável.
Localizado a cerca de 30 quilômetros de Santarém, no coração do Pará, Alter vive um momento de vitrine global.
Reconhecido recentemente pelo jornal britânico The Guardian como uma das praias mais bonitas do mundo e impulsionado pela visibilidade trazida pela COP30 em Belém, a região registrou um crescimento de 50% no turismo sustentável entre 2023 e 2025. É o que apontam os dados da Vivalá, empresa especializada em expedições de ecoturismo no Brasil.
"Percebemos uma preocupação crescente com um turismo de experiência que seja tanto mais impactante como também responsável em relação à natureza e comunidades locais", diz à EXAME Gustavo Fernandez, gerente de Marketing e Vendas da Vivalá.
Certificada como carbono neutro, a empresa atua em mais de 30 destinos de ecoturismo em 15 estados brasileiros, trabalhando com mais de 1.600 famílias de comunidades tradicionais em biomas como Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pantanal.
Alter do Chão é um dos distritos administrativos do município de Santarém, no estado do Pará. Localizado na margem direita do Rio Tapajós. (Leandro Fonseca/Exame)
Por outro lado, Antônio, mais conhecido como Goiano e associado da ATUFA (Associação de Turismo Fluvial de Alter do Chão), disse que metade das pessoas que participam dos seus passeios em Alter tem amigos ou conhecidos que não conhecem a região ou nem nunca ouviram falar. "A cidade que mais conhecem é Manaus, mesmo a capital Belém deixa a desejar", conta.
Natural de Anápolis, ele se mudou para a vila há nove anos após ouvir falar que ali estava a praia de água doce mais bonita do mundo. "O Brasil está conhecendo lentamente Alter do Chão", destaca.
O que torna Alter do Chão tão especial é justamente sua capacidade de ser e oferecer muitas opções ao mesmo tempo. A combinação é rara: de um lado, as famosas praias fluviais com águas cristalinas que formam piscinas naturais durante a temporada de seca; de outro, a imensidão da Floresta Amazônica com sua riqueza incomparável de fauna e flora.
Entre esses extremos, igarapés de beleza surreal, trilhas para aventureiros, comunidades ribeirinhas que preservam modos de vida ancestrais e uma culinária que sozinha justificaria a viagem.
"É um destino completo e democrático, agrada quem quer praia e também quem quer navegar pelo rio, e oferece desde pousadas simples dentro das comunidades até hotéis de luxo para quem quer requinte", explica o gerente da Vivalá.

Quem chega neste caribe amazônico, geralmente não está em sua primeira viagem. São pessoas que buscam tranquilidade, experiências genuínas e, cada vez mais, uma forma de viajar que respeite e valorize o destino.
Para Gustavo, esse crescimento reflete uma transformação mais ampla no setor: a preocupação com o meio ambiente e em gerar impacto social positivo aos locais.
É nesse contexto que experiências como a imersão nas comunidades ribeirinhas da Floresta Nacional do Tapajós ganham destaque.
"Não nos limitamos apenas aos atrativos convencionais como as praias", conta Gustavo. "Pelos feedbacks que recebemos, a interação com as comunidades é um dos pontos altos da expedição."
Rodas de conversa, oficinas de carimbó e artesanato, momentos de convivência, isso tudo pensado para que o visitante possa mergulhar na cultura dos povos da floresta enquanto contribui para sua preservação.
Se por um lado o aumento do turismo traz oportunidades econômicas para a região, por outro levanta questões sobre até que ponto Alter do Chão deve (ou pode) crescer.
"O povo local não está preparado para um crescimento muito acelerado, então espero que não seja tão rápido assim", pondera Antônio. Segundo o morador, este é um turismo que o próprio nativo não quer que exploda de forma desordenada.
"A COP30 trouxe visibilidade ao Pará e, com ela, cursos e especializações até mesmo em Santarém, preparando melhor a mão de obra do setor. Mas o desafio segue sendo como crescer sem perder nossa essência", destaca.
Para Gustavo, um dos principais gargalos nesse processo é a acessibilidade. O transporte aéreo para Santarém, ponto de partida para Alter do Chão, é bem restrito e caro. "Isso prejudica a expansão do turismo sustentável", chama a atenção o gerente da Vivalá.
Das areias brancas da Praia do Amor ao encontro das águas do Tapajós com o Amazonas, Alter do Chão se consolida não só como destino turístico como também exemplo vivo de ecoturismo. Mas esse tesouro natural ainda inexplorado deve ser descoberto com cuidado e respeito.
"Precisamos respeitar as particularidades ambientais e culturais das pessoas, para que isso seja valorizado e preservado, e não destruído por meio do turismo predatório", defende Gustavo.