ESG

Patrocínio:

espro_fa64bd

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

A COP30 como marco: Brasil e setor privado lideram a agenda da implementação

A conferência do clima em Belém sinaliza um compromisso inegociável com a sustentabilidade e com a cocriação de soluções que impulsionem um futuro mais resiliente

A COP30 colocou Belém no mapa global, impulsionando melhorias e investimentos (Leandro Fonseca /Exame)

A COP30 colocou Belém no mapa global, impulsionando melhorias e investimentos (Leandro Fonseca /Exame)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 5 de dezembro de 2025 às 11h10.

*Por Guilherme Xavier

A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), não foi apenas mais uma conferência sobre o clima. Ela se consolidou como um divisor de águas - a "COP da implementação" -, marcando uma transição crucial dos discursos para a ação.

Para o setor empresarial brasileiro, este momento sinaliza um compromisso inegociável com a sustentabilidade e com a cocriação de soluções que impulsionem um futuro mais resiliente.

A sustentabilidade, antes vista por muitos como uma pauta secundária ou puramente política, emergiu em Belém como uma agenda estratégica intrínseca ao desenvolvimento de negócios. Esta mudança de perspectiva é fundamental.

Belém: um legado visível e o protagonismo brasileiro

A escolha de Belém para sediar a COP30 foi um passo ousado e visionário. Embora a conferência não resolvesse os desafios históricos de infraestrutura da cidade, como, por exemplo, a ainda baixa taxa de esgoto coletado e tratado, ela, sem dúvida, colocou Belém no mapa global, impulsionando melhorias e investimentos.

A importância de deixar um legado tangível para a cidade-sede era clara, e a COP30 trabalhou neste sentido.

Para o Brasil, o evento reforçou sua narrativa de protagonista global da agenda climática. Há tempos, temos construído a visão de que o país pode:

● Alimentar o mundo de forma sustentável com vastas áreas agricultáveis, agricultura de baixo carbono, e compromisso com a preservação de biomas;

● Liderar a produção de biocombustíveis, como uma das alternativas tecnológicas de descarbonização do setor de transporte sem comprometer a segurança alimentar, dada nossa abundância de terras e clima favorável.

● Oferecer produtos industrializados de baixo carbono, graças à nossa matriz elétrica predominantemente renovável;

● Ser um ator-chave na captura de carbono, por meio de nossas florestas e do potencial de recuperação de áreas degradadas e de tecnologias de captura de carbono.

O desafio, contudo, é fazer com que o mundo invista e passe a usufruir desse potencial.

O setor privado como propulsor da mudança

A grande inovação e o principal legado da COP30 para o Brasil foi a mobilização sem precedentes do setor privado. Diferentemente das COPs anteriores, onde a participação empresarial era muitas vezes reativa ou fragmentada, em Belém, o empresariado brasileiro "mostrou a cara", se organizou e participou de forma massiva e ativa.

Áreas específicas, como a "AgriZone", focada em soluções para agricultura regenerativa, recuperação de áreas degradadas , aumento de produtividade, uso de tecnologias avançadas para agricultura e a "Casa do Seguro", que trouxe à tona a pauta da adaptação e da resiliência, foram exemplos vibrantes dessa atuação.

O setor financeiro, em particular, demonstrou um interesse crescente, percebendo a necessidade de infraestruturas mais resilientes para mitigar riscos e evitar perdas significativas e, ao mesmo tempo, investir em projetos de transição climática.

Essa proximidade entre a agenda oficial e a agenda do setor privado, como destacou o Embaixador André Correa do Lago, é fundamental. Ele defendeu que o Brasil precisa de bons exemplos - e é exatamente isso que as empresas engajadas no Pacto Global da ONU – Rede Brasil apresentaram durante a COP30.

Superando lacunas e construindo o futuro

Apesar dos avanços, o caminho rumo à sustentabilidade plena ainda possui lacunas. A principal delas reside no financiamento. É imperativo compreender que o capital necessário para os projetos de transição e adaptação virá, majoritariamente, do setor privado.

O papel dos governos e dos organismos multilaterais será, em grande parte, o de mitigar riscos desses projetos, tornando-os atrativos para investidores. A aprovação do projeto de criação do mercado de carbono no Brasil, que aconteceu recentemente recentemente, é um passo crucial nesse sentido.

Olhando para frente, para a COP de 2026 e além, o Brasil e seu empresariado têm uma oportunidade ímpar de consolidar sua liderança global. Precisamos continuar investindo na Agenda de Ação, um pilar que identifica iniciativas de sucesso e coalizões necessárias, influenciando políticas públicas e promovendo o diálogo entre as partes interessadas.

Nós temos como missão garantir que a liderança empresarial brasileira seja não apenas reativa aos acordos globais, mas proativa na cocriação de soluções e políticas públicas. Nossas empresas estão capacitadas para dar respostas, desenvolver novos produtos e serviços de baixo carbono, recuperar áreas degradadas e abrir novos mercados.

A COP30 nos ensinou que a sustentabilidade não é uma ideologia, mas uma agenda de desenvolvimento que exige colaboração, inovação e, acima de tudo, implementação contínua. As lacunas ainda existem, mas o caminho para preenchê-las é por meio da mobilização e da crença no potencial transformador do nosso setor privado.

A jornada de Belém é um testemunho de que estamos no caminho certo para gerar resultados tangíveis e construir um mundo melhor.

A mensagem é clara para CEOs e líderes empresariais: a agenda de sustentabilidade não é uma opção, mas uma oportunidade.

A hora é de ação e colaboração com todos os setores da sociedade no caminho de uma jornada justa que consiga entregar e as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris.

O Brasil tem tudo para liderar essa transformação, e estamos comprometidos em apoiar e amplificar essa jornada, transformando desafios em resultados e construindo um futuro mais resiliente e próspero para todos.

* Guilherme Xavier é diretor executivo do Pacto Global – Rede Brasil

Acompanhe tudo sobre:ESGCOP30SustentabilidadeClimaMudanças climáticas

Mais de ESG

Como um iceberg matou 70% dos filhotes de uma colônia de pinguins na Antártica

Os oceanos estão se tornando uma gigante 'bateria' de calor, afirma estudo

Abertas as inscrições para Melhores do ESG da EXAME

Fortuna de bilionários cresce três vezes mais rápido em 2025, aponta Oxfam