Carreira

‘Conselho é decidir risco sobre risco o tempo inteiro’, diz conselheira formada pela Saint Paul

Da engenharia química à governança, a fundadora da Olusac explica por que cada escolha no board também envolve pessoas

Maria Veloso, conselheira e fundadora da Olusac

Maria Veloso, conselheira e fundadora da Olusac

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 15h15.

Priorizar nos meus resultados Google

“Você não aprende só na sala de aula. Aprende no cafezinho, nas amizades que faz, no networking.” É assim que Maria Veloso resume o que levou da primeira turma do ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women da Saint Paul, em 2016. Foi nesse ambiente, entre aulas e intervalos, que ela conheceu a mulher com quem fundaria a própria empresa cinco anos depois.

Hoje conselheira de administração e fundadora da Olusac, consultoria criada em 2021, Maria atravessou a primeira década do programa, que completa 10 anos, como aluna da turma inaugural e presença constante na comunidade de alumnis. Da experiência, ela tira uma convicção que orienta seu trabalho: conselho é, antes de tudo, decidir sobre risco e sobre pessoas.

Da engenharia química aos conselhos

Engenheira química de formação, Maria construiu a carreira em multinacionais de setores como petróleo e gás, mineração e química, atividades em que o risco físico e operacional faz parte da rotina.

Ao longo dessa trajetória, somou passagens pelo IESE, na Espanha, e um mestrado na FGV-EAESP. Atualmente, faz doutorado na Universidade de São Paulo (USP), com pesquisa sobre governança de comunidades de energia conectadas digitalmente, e dá aulas de governança e riscos na pós-graduação do SENAI CETIQT, no Rio de Janeiro.

Quando decidiu se preparar para a atuação em boards, dois fatores pesaram na escolha pelo ABP-W, programa de 300 horas exclusivo para mulheres que buscam assentos em conselhos. O primeiro era a convivência com executivas que já ocupavam esses espaços. “Estar ao lado de mulheres experientes é importante para possibilitar essa troca, esse aprendizado e também as dores”, diz. O segundo era a chance de ampliar conexões.

Uma turma escolhida a dedo

A turma de 2016 reuniu conselheiras com longa estrada. “Nossa turma foi escolhida muito a dedo. Eram profissionais muito experientes, como acredito que tem que ser a primeira turma”, afirma Maria.

Ela conta que o curso cumpriu duas funções ao mesmo tempo. Uma delas foi confirmar práticas que já adotava. 

"É bom saber que alguns conhecimentos que você já utiliza no dia a dia são consistentes, têm base teórica e são reconhecidos por outros conselheiros"Maria Veloso, conselheira e fundadora da Olusac

A outra foi o contato com professores que viviam grandes conselhos e traziam orientações que, segundo ela, seguem presentes em sua atuação.

Entre os conteúdos que mais a marcaram está o peso dado às finanças. “Por mais que eu não seja da área de finanças, é sempre importante olhar o negócio, olhar a sustentabilidade do negócio”, afirma.

Risco sobre risco

A formação reforçou uma visão que Maria resume em inglês: board is always about risk. “Conselho é você decidir risco sobre risco o tempo inteiro. Risco financeiro, geopolítico, estratégico, operacional, de pessoas, reputacional”, diz.

Maria Veloso, conselheira e fundadora da Olusac

A segunda ideia que ela leva para as reuniões tem a ver com quem será afetado por cada escolha. “No fundo, quando você está tomando uma decisão de conselho, está decidindo sobre pessoas”, afirma. 

Isso inclui, nas palavras dela, o próprio conselho, os empregados e as pessoas que vivem no território onde a empresa atua. “Você está decidindo o futuro daquela empresa e daquelas pessoas”, fala.

A rede depois do diploma

Maria participou da primeira viagem internacional do programa. As seguintes ficaram para trás: logo depois veio a pandemia e, quando ela passou, Maria já ocupava cadeiras em conselhos. Em seguida, começou o doutorado. “Estou sempre estudando”, diz.

O vínculo com o ABP-W, porém, continuou. Ela frequenta os encontros e cursos da comunidade de ex-alunas e os almoços informais, onde convive com mulheres de todas as turmas. “Vamos fazendo conexões, trocando, escutando as possibilidades, os aprendizados, as novidades”, afirma.

Uma sociedade que nasceu no programa

A conexão mais duradoura veio da própria turma. Foi no ABP-W que Maria conheceu Cissy Saraiva, com quem fundou a Olusac em 2021. 

“Toda a construção da Olusac foi feita com a Cissy, que eu conheci durante o ABP-W”, diz.

Dez anos depois da primeira aula, ela descreve a formação como algo que não se encerra com o certificado. “O aprendizado é como um quebra-cabeça que você vai montando. E ele vai te formando como pessoa e como profissional”, finaliza.

Decidir sobre risco e sobre pessoas exige preparo técnico e repertório. O ABP-W | Advanced Boardroom Program for Women, da Saint Paul, prepara conselheiras e futuras conselheiras com módulos de gestão integrada de riscos e simulações de reuniões de conselho com casos reais. A próxima turma começa em abril de 2027

Acompanhe tudo sobre:Branded MarketingABPWHigh Impact Programs

Mais de Carreira

Quem mais quer trocar de emprego não é a Gen Z: 58% da Geração X planejam sair em até um ano

Fazer o básico virou pouco: as 4 características que as empresas em ascensão buscam em candidatos

'É só uma equipe muito forte': o CEO da Nestlé explica por que alguns times não quebram na crise

Na Impulso, a carga horária de cada professor é conferida todos os dias: ‘É questão de respeito’