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Conheça a história da Batalha de Vertières: homenagem vetada no uniforme do Haiti

Ilustração remetia ao conflito final da Revolução Haitiana, que culminou na independência do País, foi vetada pela Fifa sob justificativa de neutralidade política

Em seu retorno à Copa após 52 anos, o Haiti está no Grupo C (o mesmo do Brasil) (CHANDAN KHANNA / AFP)

Em seu retorno à Copa após 52 anos, o Haiti está no Grupo C (o mesmo do Brasil) (CHANDAN KHANNA / AFP)

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Publicado em 21 de junho de 2026 às 09h57.

Às vésperas da estreia na Copa do Mundo de 2026, a seleção de futebol do Haiti precisou alterar seu uniforme oficial após determinação da Federação Internacional de Futebol (Fifa). A entidade vetou uma ilustração nas camisas da equipe que homenageava a Batalha de Vertières (1803), marco final da Revolução Haitiana. Segundo a Fifa, a imagem violou as diretrizes que proíbem manifestações de teor político, religioso ou pessoal em equipamentos esportivos durante torneios oficiais. 

A fornecedora de material Saeta e a Federação Haitiana de Futebol acataram a exigência e o design do uniforme do Haiti foi alterado, para assegurar a participação da seleção no campeonato. Em comunicado, a marca argumentou que “não tinha intenção de constituir uma declaração política”, reforçando que a peça tinha apenas intenção cultural de homenagear o povo haitiano.

Contexto histórico

A Batalha de Vertières é o evento definitivo da independência do Haiti. No final do século XVIII, a ilha de Saint-Domingue, então colônia francesa, baseava sua economia açucareira na exploração da mão de obra de africanos escravizados, sob o amparo do Code Noir (Código Negro) de 1685. Em 1791, influenciados pelo cenário da Revolução Francesa e por ideais iluministas, escravizados e negros libertos iniciaram um levante armado.

O conflito se estendeu por doze anos, intensificando-se em 1802, quando Napoleão Bonaparte enviou tropas para restabelecer a escravidão — que havia sido abolida pela França em 1794. O desfecho ocorreu em 18 de novembro de 1803, quando as forças rebeldes lideradas por Jean-Jacques Dessalines derrotaram o exército francês comandado pelo general Rochambeau. Em 1º de janeiro de 1804, foi proclamada a independência do Haiti, estabelecendo a primeira república negra do mundo e o primeiro Estado americano a abolir formalmente a escravidão.

Como era a estampa?

Desenvolvido pela fornecedora colombiana Saeta em parceria com a Federação Haitiana de Futebol, o desenho original estampava no canto inferior direito um grupo de pessoas erguendo a primeira bandeira nacional do País. O design buscava traçar um paralelo cronológico: a histórica batalha ocorreu em 18 de novembro de 1803, mesma data em que, em 2025, a seleção do Haiti garantiu a vaga no mundial ao vencer a Nicarágua por 2 a 0 nas Eliminatórias.

Nas redes sociais, internautas confundiram a ilustração da camisa azul do Haiti com a bandeira da Polônia, um mal-entendido causado por um ajuste estético dos designers que destacou apenas os traços em branco e vermelho para que o desenho não sumisse no tecido escuro. A fornecedora esclareceu que a arte retratava, na verdade, soldados com a primeira bandeira da independência haitiana de 1804, que ficava nítido no uniforme reserva branco. Mas o boato ganhou força devido a um forte vínculo histórico real entre os países: em 1802, soldados poloneses enviados por Napoleão Bonaparte para reprimir a revolução haitiana mudaram de lado e se uniram aos escravizados na luta pela libertação do Haiti.

Regulamento internacional

A decisão da Fifa está alinhada a diretrizes adotadas por comitês esportivos globais. Em fevereiro de 2026, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, o Comitê Olímpico Internacional (COI) adotou postura semelhante, exigindo que a delegação do Haiti cobrisse a imagem do revolucionário Toussaint Louverture em seus trajes oficiais de abertura, também sob o argumento de neutralidade política.

Em seu retorno à Copa após 52 anos, o Haiti está no Grupo C (o mesmo do Brasil). A seleção estreou com o uniforme branco modificado contra a Escócia, em Boston.

No confronto com a Seleção Brasileira na nesta sexta-feira (19), na Filadélfia, também jogou de branco, restando a camisa azul para o duelo contra o Marrocos, no dia 24 de junho, em Atlanta.

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