Resultado do setor de serviços pode ser elemento surpresa no PIB de 2020; entenda

Números consolidados do PIB do ano passado serão divulgados nesta quarta (3); alta no 4º tri deixa boa base para crescimento em 2021, mas pandemia preocupa

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga nesta quarta-feira (3), o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2020. Após quase um ano inteiro de pandemia, restrições de circulação e aumento do desemprego, a expectativa do mercado é de retração de pelo menos 4%. Divulgado na metade de fevereiro, o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, fechou em 4,05%, reforça essas projeções.

"Chegamos a acreditar numa contração acima de 6%, mas o resultado final deve ser entre 4,15% e 4,20%, muito por conta do setor de serviços. É dele, inclusive, que podemos ter alguma surpresa, positiva ou negativa, porque é um setor que não tem pesquisas específicas para ele", explica o economista Arthur Mota, da Exame Invest Pro, braço de análise de investimentos da Exame. Segundo ele, há chances dessa queda vir um pouco maior que o projetado, uma vez que, mesmo antes da pandemia, os resultados já vinham decepcionando.

"Pelo menos nas últimas cinco divulgações, o mercado foi surpreendido negativamente por ter projetado altas maiores do que de fato ocorreram", conta o economista, que espera uma alta de 2,8% no PIB do 4º trimestre de 2020, o que seria uma boa base de crescimento para o primeiro trimestre. 

O atual cenário da pandemia no Brasil, com um ritmo de vacinação lento e recordes de mortes a cada dia, pode frustrar as expectativas mais uma vez. "Pelo que já temos no mapa, como índice de confiança, as novas medidas de isolamento e a nova rodada do auxílio, o PIB deste 1º trimestre tende a ser muito fraco, com a pandemia sendo o principal efeito negativo no radar", disse.

Sem auxílio emergencial, tombo seria ainda maior

Apesar da queda significativa, o resultado do PIB brasileiro ainda ficou distante do rombo registrado em outras economias do continente, como México e Argentina, cujo PIB ficou negativo na casa dos dois dígitos.

Segundo os pesquisadores do recém-lançado Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo), a diferença expressiva entre os resultados do Brasil e dos seus pares latino-americanos se deve, principalmente, aos R$300 bilhões de reais que o governo federal gastou com o auxílio emergencial.

Em um cenário sem o benefício, diz o estudo, a queda do PIB brasileiro em 2020 seria de pelo menos 8,4% — 4 pontos percentuais a mais do que o esperado pelo mercado. No pior cenário sem o auxílio, a queda poderia chegar a 14,8%.

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