Economia

Petrobras vai parcelar reajuste do querosene de aviação; entenda

A medida permitirá que as distribuidoras que atendem aviação comercial paguem um aumento de apenas 18% em abril e parcelem o restante do reajuste

Aeronave avião Latam decolando (Victor Moriyama/Bloomberg)

Aeronave avião Latam decolando (Victor Moriyama/Bloomberg)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 1 de abril de 2026 às 14h13.

Última atualização em 1 de abril de 2026 às 14h14.

A Petrobras anunciou uma medida para reduzir os efeitos do reajuste do preço do querosene de aviação (QAV), combustível das companhias aéreas. 

Nesta quarta-feira, 1º, a estatal anunciou um aumento nos preços de 54,8%.

A medida permitirá que as distribuidoras que atendem aviação comercial paguem um aumento de apenas 18% em abril.

O restante do percentual, de 36,8%,  poderá ser parcelado em até seis vezes pelos clientes da Petrobras, com a primeira parcela a partir de julho de 2026.

A possibilidade será disponibilizada ao mercado um termo de adesão até a próxima segunda-feira, 6.

O mecanismo de parcelamento também poderá ser ofertado em maio e junho, com parâmetros ainda a serem calculados.

Em nota, a companhia afirma que a medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, "assegurando o bom funcionamento do mercado".

"Esse instrumento contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras, considerando o cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio", afirmou em nota.

A medida atende em parte a demanda do governo federal que, em ano de eleição, tenta evitar que a alta de preços dos combutíveis atinjam a população e resultem na queda da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além da ação da Petrobras, a gestão petista discute a redução da alíquota do PIS/Confins sobre o QAV, a redução da alíquota do IOF incidente sobre empresas aéreas e a redução da alíquota de imposto de renda incidente sobre o leasing das aeronaves.

Impacto no preço das passagens

Como mostrou a EXAME, o aumento deve impactar diretamnete no bolso do consumidor brasileiro. O combustível representa em torno de 30% dos custos de uma companhia aérea e deve impactar o preço das passagens. Ainda mais num momento em que as empresas se reestruturam financeiramente.

Especialistas ouvidos afirmam que a cada elevação de US$ 1 por galão no preço do QAV, as passagens podem subir cerca de 10%. A Azul já anunciou que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo das últimas três semanas.

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