WSJ alerta para debandada após perda de grau de investimento

A perda do selo de bom pagador do país, causada pelo corte que a Standard & Poor’s fez no rating brasileiro, repercutiu mal na imprensa estrangeira

São Paulo – O corte do rating brasileiro para “BB+” ante “BBB-“, feito na noite desta quinta-feira pela Standard & Poor’s, repercutiu de forma negativa na imprensa estrangeira.

A decisão da agência de classificação de risco fez o país perder o selo de bom pagador.

Segundo os jornais, o corte significa um revés ao governo Dilma e também ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O The Wall Street Journal afirma que a medida veio mais cedo do que o esperado, refletindo a velocidade com que o cenário econômico e fiscal brasileiro tem se deteriorado.

“Se acompanhado por outra classificação de crédito das empresas, poderia desencadear uma saída maciça de dinheiro de mercados financeiros”, diz o jornal americano, que citou também a revisão da perspectiva brasileira, de estável para negativa, feita pela S&P seis semanas atrás.

A BBC diz que o movimento da agência é “um grande revés” para as tentativas de Joaquim Levy para fortalecer as contas públicas, e ainda poderá afetar o mercado financeiro do Brasil amanhã (10).

A rede britânica ainda lembra que as perspectivas sobre a nova classificação continuam negativas, o que significa que novos rebaixamentos poderão acontecer em breve.

A Bloomberg afirma que a medida coloca pressão sobre o Ministério da Fazenda para implantar medidas que fortaleçam a situação fiscal do país, com corte de gastos ou aumento de impostos.

O veículo ainda faz referência à situação da presidente Dilma Rousseff.

“Rousseff tem sido incapaz de encontrar apoio em suas iniciativas em meio a uma investigação de corrupção dentro da empresa estatal de petróleo [Petrobras] que supostamente ocorreu enquanto ela era sua presidente, colocando sua popularidade para um recorde baixo e causando pedidos por seu impeachment”, diz a Bloomberg.

A reportagem ainda diz que normas internas de empresas poderiam impedir investimentos no Brasil, o que levaria a uma liquidação de ativos no país.

O Financial Times lembra da nomeação de Joaquim Levy, um “falcão fiscal”, para “tentar virar as finanças”, "mas após um começo relativamente positivo, sua equipe econômica por duas vezes reduziu suas projeções para o superávit primário”, considerada uma medida-chave para a saúde das finanças públicas, diz o texto.

Segundo a agência de classificação de risco, “os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuam a crescer, pesando sobre a habilidade do governo e a disposição de enviar um orçamento de 2016 ao Congresso consistente com uma significativa política corretiva sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma”.

A S&P indicou ainda que o país pode ser colocado ainda mais para dentro do grau especulativo.

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