Para BC, expansão do crédito segue em ritmo adequado

Na avaliação do BC, o crescimento do crédito no Brasil se dá num contexto "muito diferente" do que aconteceu em economias avançadas antes da crise de 2008.

Porto Alegre – A expansão do crédito no mercado brasileiro segue em ritmo adequado, mas o Banco Central irá agir “tempestivamente” para corrigir qualquer desvio que possa colocar em risco esse equilíbrio. “A afirmação da nossa solidez não significa que, no Brasil, o supervisor e o regulador não estejam permanentemente atentos aos menores sinais de alerta e não estejam dispostos a agir tempestivamente como já foi demonstrado recentemente em várias circunstâncias”, disse nesta segunda-feira o diretor de Regulação do Sistema Financeiro do BC, Luiz Awazu Pereira.

Na avaliação do diretor, o crescimento do crédito no Brasil se dá num contexto “muito diferente” do que aconteceu em economias avançadas antes da crise de 2008. O baixo grau de endividamento das famílias, das empresas e do próprio governo é uma dessas diferenças. A regulação e o bom nível de liquidez do sistema financeiro nacional completam o quadro.

“Entendo que existam interrogações por parte de muitos observadores externos do quadro brasileiro, especialmente por aqueles que não detectaram os sinais precursores de crise financeira nas economias avançadas e que tendem hoje naturalmente a adotar uma atitude bem mais conservadora e talvez até alarmista, para compensar a ausência de seus alertas adequados no passado”, afirmou Awazu, durante fórum promovido pelo BC na capital gaúcha.


Apesar da taxa de calote nos empréstimos estar estacionado em patamar elevado há três meses, o diretor do BC ponderou que o aumento da inadimplência em certos segmentos do crédito ao consumo foi provocado por uma concessão menos rigorosa de financiamento no final de 2010. “Esse problema foi solucionado com medidas prudenciais tempestivas que tiveram pleno sucesso. Verificamos na segunda metade de 2012 uma tendência de estabilização e queda da inadimplência”, disse.

“A sustentabilidade do modelo de crescimento com aumento do consumo das famílias, financiado via crédito, tem que ser avaliada de maneira mais abrangente e dinâmica do que a simples observação pontual de índices de inadimplência ou de comprometimento de renda das famílias”, ressaltou Awazu.

O diretor do BC apontou que o crédito imobiliário no Brasil “ainda tem espaço considerável de expansão”, pois representa atualmente cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB). “Ou seja, um rápido crescimento do crédito imobiliário com regras prudenciais sólidas, supervisão intrusiva, explicado por melhora da situação econômico-financeira das famílias não é a mesma coisa que um rápido crescimento do crédito explicado por uma deterioração dos critérios de seleção”, disse. (Colaborou Tassia Kastner).