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PSDB postergou saída de Azeredo para evitar identificação com PT

Senador mineiro é acusado de operar caixa 2 em 1998, com dinheiro de Marcos Valério

EXAME.com (EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 11h25.

O senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG) pretende anunciar no Plenário seu afastamento da presidência nacional do partido. Ele reuniu-se antes com o senador Tasso Jereissati (CE) e foi aconselhado por colegas a deixar o cargo para defender-se das denúncias de que saldou dívidas de campanha com dinheiro do empresário Marcos Valério, pivô de esquemas de financiamento irregular investigados pela comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Mensalão. O discurso de renúncia à presidência está pronto, mas a sessão do Senado está discutindo a cassação do senador João Capiberibe (PSB-AP).

"O PSDB já cogitava o afastamento há algum tempo, mas decidiram postergar para que a imagem do partido não ficasse associada à do PT, que à época também via seu presidente [José Genoíno] sair de cena", afirma João Augusto de Castro Neves, membro do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos. Em novembro, Jereissati deverá assumir a presidência do PSDB.

"Reafirmo que, na condição de candidato à reeleição para o governo do estado em 1998, dediquei-me apenas à ação político-eleitoral", diz Azeredo em nota divulgada no final da tarde. "Só por má-fé ou hipocrisia desconhece-se que assim ocorre praticamente em todas as candidaturas majoritárias e que as demais atividades da campanha são geridas por coordenadores de áreas", diz o senador na nota.

Para Castro Neves, o risco de uma guerra de aniquilamento entre PT e PSDB ainda não é grande. "A radicalização não é bem-vinda, porque se houver um descontrole, os dois partidos afundam juntos", diz o analista. "Para a oposição, continua mais interessante o cenário de crise latente durante 2006, aquele tipo de crise que vai gerando farto material para ser usado depois na campanha."

O senador Tião Viana (PT-AC) defendeu uma saída de conciliação para "tranqüilizar o país", comentando a decisão do PSDB de buscar assinaturas para criar mais uma CPI, para investigar caixa 2 em campanhas eleitorais estaduais em 2002. "Nós precisamos dialogar, ter serenidade, investigar, achar os culpados e condená-los. Mas sem querer fazer linchamento moral generalizado, porque não é bom para a democracia brasileira. Na hora em que a sociedade achar que todo mundo é bandido, nós não teremos mais nenhuma defesa da ética e da moral pública."

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