Repórter
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 17h31.
A inflação na Argentina teve uma aceleração pelo quinto mês seguido em janeiro, enquanto o presidente Javier Milei enfrenta as repercussões da saída do chefe do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), Marco Lavagna, que se demitiu após um desentendimento com o governo.
Os preços ao consumidor aumentaram 2,9% em janeiro, na comparação com dezembro, superando a estimativa mediana de 2,4% dos analistas consultados pela Bloomberg e ligeiramente acima da taxa do mês anterior. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a inflação anual ficou em 32,4%, segundo os dados oficiais.
Os setores de alimentos, restaurantes, hotéis e serviços públicos foram os responsáveis pelos maiores aumentos de preços no último mês.Os dados foram divulgados logo após a saída de Lavagna do cargo, que aconteceu de forma inesperada na semana passada. Enquanto isso, Javier Milei postergou a implementação da nova metodologia do Incec, que começaria com o relatório de janeiro. O índice atual de inflação da Argentina ainda utiliza uma cesta de produtos que não é atualizada há duas décadas.
Representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) estão em Buenos Aires para discutir o programa de empréstimo de US$ 20 bilhões ao governo argentino e devem abordar o cronograma de adoção da nova metodologia.
O ministro da Economia, Luis Caputo, tem tentado minimizar os efeitos dessa mudança, destacando que os títulos indexados à inflação não foram impactados pela saída de Lavagna. Segundo Caputo, a saída ocorreu de forma amigável, mas houve desacordo entre Lavagna e Milei sobre o melhor momento para a implementação da nova cesta de produtos, que passaria a ter mais peso em serviços que não existiam há 20 anos, com a expectativa de que isso aconteça quando a inflação cair ainda mais.
Apesar de uma desaceleração significativa da inflação desde a posse de Milei, quando a Argentina enfrentava taxas de inflação de três dígitos, o presidente tem encontrado dificuldades para avançar com sua agenda de austeridade. Parte dessa agenda inclui cortes nos subsídios de serviços públicos, ao mesmo tempo, em que busca controlar a inflação.
Após a inflação mensal atingir 1,5% em meados de 2025, os preços voltaram a subir gradualmente por diversas razões.
Após o aumento de janeiro, os riscos de uma nova alta parecem crescer. Milei planeja um novo aumento nas contas de luz e gás em fevereiro para manter o superávit fiscal. Além disso, os custos com educação e vestuário devem subir em março, com o retorno às aulas.
Embora se espere que a inflação desacelere ao longo deste ano, a redução será mais lenta do que o previsto. Economistas consultados pelo Banco Central indicaram uma previsão de inflação anual de 22% até o final de 2026.