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Fitch: recessão dos EUA tiraria 1 ponto do PIB do Brasil

A simulação especula um efeito global do duplo mergulho da economia norte-americana na recessão

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No caso do Brasil, que tem os EUA e a China como principais parceiros comerciais, o crescimento do PIB ficaria em 3,7%, ou 0,3 ponto porcentual abaixo da estimativa básica da Fitch (Getty Images)

No caso do Brasil, que tem os EUA e a China como principais parceiros comerciais, o crescimento do PIB ficaria em 3,7%, ou 0,3 ponto porcentual abaixo da estimativa básica da Fitch (Getty Images)

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Regina Cardeal

Publicado em 25 de agosto de 2011 às, 14h55.

São Paulo - O Brasil poderá perder um ponto porcentual no crescimento econômico entre 2011 e 2013 se os EUA entrarem novamente em recessão. Este é um cenário simulado pela agência de classificação de risco Fitch Ratings em relatório divulgado hoje, no qual avalia o efeito global de um hipotético duplo mergulho da economia norte-americana na recessão.

No caso do Brasil, que tem os EUA e a China como principais parceiros comerciais, o crescimento do PIB em 2011 ficaria em 3,7%, ou 0,3 ponto porcentual abaixo da estimativa básica da Fitch. Para 2012, uma recessão nos EUA tiraria mais 0,3 ponto do crescimento brasileiro, que passaria a ser projetado em 4,2% pela agência. A Fitch também vê expansão de 4,5% para a economia do Brasil em 2013, 0,5 ponto a menos do que o País cresceria se os EUA seguirem em expansão.

A Fitch esclarece que estas são simulações e que um duplo mergulho dos EUA não está em seu cenário básico, mas que os riscos de que ele ocorra parecem crescer. Neste mês, a Fitch rebaixou sua previsão de crescimento para a economia dos EUA para 1,8% em 2011, de 2,6%, e para 2,6% em 2012, de 2,8% antes. Na simulação do duplo mergulho, a Fitch trabalha com o crescimento dos EUA caindo para 1% este ano e ficando negativo em 0,6% no próximo.

O relatório da agência centra foco na análise de um eventual impacto por meio do comércio entre os países, já que não busca quantificar os efeitos do aumento na aversão ao risco que uma nova recessão norte-americana causaria para a economia global. O PIB mundial perderia no mínimo 2,1 pontos porcentuais em três anos, sendo 0,3 ponto em 2011, 1,2 ponto em 2012 e 0,7 ponto em 2013, sempre na simulação considerando-se a freada na economia dos EUA.

O crescimento na China ficaria 2,7 pontos porcentuais abaixo do estimado para o período 2011-2013, com fortes repercussões para o mundo todo. Segundo a Fitch, a China cresceria 8,6% em 2011 (-0,1 ponto), 7% em 2012 (-1,5 ponto) e 6,9% (-1,1 ponto) em 2013 se os EUA voltarem para a recessão neste período.

"Com a emergência do recuo do consumo no contexto de mercados de trabalho e moradia fracos e com a nova intensificação do estresse dos mercados financeiros relacionado à crise da zona do euro, os temores do mercado sobre a chance de os EUA caírem novamente em recessão aumentaram", disse Maria Malas-Mroueh, diretora do grupo soberano da Fitch em Londres.

Entre 2011 e 2013, a área do euro, o Reino Unido e o Japão desacelerariam 1,6 ponto, 0,7 ponto e 0,9 ponto, respectivamente, em relação ao cenário básico, projeta a Fitch. Mas a agência alerta que o impacto sobre as grandes economias avançadas pode ser muito maior no caso de duplo mergulho dos EUA por causa da segunda rodada de efeitos, que incluem a interdependência dos setores financeiros. Outros países que seriam drasticamente atingidos pelo crescimento menor nos EUA incluem os vizinhos Canadá e México, afirma a Fitch.

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