Redação Exame
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 15h14.
O Brasil alcançou o valor recorde de US$ 51,83 bilhões em exportações de serviços durante o ano de 2025.
Os dados foram revelados nesta quarta-feira, 28, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), durante o lançamento de uma nova ferramenta de monitoramento estatístico.
O desempenho histórico foi puxado principalmente pelo setor de tecnologia, uma vez que 65% do montante total refere-se a transações de serviços digitais realizadas ao longo do último ano.
A nova plataforma, batizada de ComexVis Serviços, foi desenvolvida pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para detalhar fluxos que antes eram divulgados de forma apenas agregada pelo Banco Central.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a iniciativa qualifica o debate público e auxilia empresários a identificarem oportunidades de negócios em um mercado cada vez mais desmaterializado. A ferramenta permite analisar a distribuição por setores e parceiros comerciais, fortalecendo a inserção internacional do país.
Apesar do avanço nas vendas, o país ainda enfrenta um déficit estrutural na balança do setor. Em 2025, as importações de serviços somaram US$ 104,77 bilhões, resultando em um saldo negativo de US$ 52,94 bilhões. Esse rombo, somado às remessas de lucros para o exterior, contribuiu para que as contas externas brasileiras fechassem o ano com um déficit total de US$ 68,791 bilhões, evidenciando a necessidade de atrair capital estrangeiro para equilibrar o balanço de pagamentos.
O lançamento do painel busca preencher uma lacuna histórica nas estatísticas oficiais do governo federal. Com dados mais granulares, a Secex espera formular políticas públicas que aumentem a competitividade das empresas nacionais. Alckmin ressaltou que a fronteira entre bens e serviços está cada vez mais tênue, já que cerca de 40% do valor adicionado nas exportações de produtos manufaturados brasileiros corresponde a componentes de serviços incorporados ao longo da cadeia produtiva.
O cenário de 2025 reforça a dependência do Brasil em relação ao Investimento Estrangeiro Direto (IED) para financiar o consumo interno de tecnologia e softwares internacionais. No ano passado, o fluxo de investimentos somou US$ 77,676 bilhões, compensando o saldo negativo das transações correntes. O fortalecimento das exportações no ambiente digital é visto por analistas como um caminho essencial para reduzir a volatilidade do real e garantir maior autonomia financeira frente aos choques do mercado global.
(Com Agência Brasil)