Brasil quer acordo, e Mercosul deve decidir se avança junto

Presidente da Comissão Europeia pediu que o Mercosul decida se avança em conjunto em suas negociações com a União Europeia, e destacou que o Brasil quer acordo

Paris - O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, pediu nesta sexta-feira, em Paris, que os países do Mercosul decidam se avançam em conjunto em suas negociações comerciais com a União Europeia (UE), e destacou que o Brasil quer um acordo.

"Alguns países do Mercosul não estão apoiando" as negociações com a UE, mas "o Brasil (...) quer um acordo, quer avançar", afirmou Barroso em entrevista à AFP.

"Compete aos nossos amigos do Mercosul agora ver se estão em condições de avançar em conjunto ou então se há alguns países que querem avançar por conta própria", afirmou o presidente da Comissão (executivo da UE), que se encontra a capital francesa para participar de uma cúpula França-África.

Barroso disse que a UE gostaria de negociar um TLC (Tratado de Livre Comércio) com "o conjunto do Mercosul, pois nossa visão é de região para região".

No entanto, citou o Pacto Andino, no qual foram fechados acordos de acesso a mercados com Peru e Colômbia, mas não com Bolívia e Equador.

"O Brasil tem que decidir se quer ou não quer um acordo com o Mercosul e os outros países (membros do bloco) também", afirmou Barroso.

"Nós (...) queremos, em princípio, o Mercosul em seu conjunto, mas teremos que ver eles estão preparados", insistiu.

"Nós, a União Europeia, estamos preparados para negociar" um Tratado de Livre Comércio, prosseguiu.

Mercosul e UE concordaram em janeiro em uma reunião ministerial que as duas partes apresentariam as ofertas de abertura de mercados até o fim de 2013 para avançar na negociação, que foi reaberta em 2010, após seis anos de bloqueio.


O diretor de Negociações Internacionais da Chancelaria brasileira, Ronaldo Costa Filho, confirmou que o bloco trabalha com estes prazos.

"Estamos na etapa final de preparação da oferta do Mercosul, todos os países estão comprometidos e temos confiança de que o prazo será respeitado", afirmou.

Em uma cúpula em Brasília no início do ano, o presidente da UE, Herman Van Rompuy, e a presidente Dilma Rousseff já haviam defendido uma conclusão rápida deste acordo. A indústria brasileira sugeriu inclusive que podem ser adotadas velocidades distintas de negociação se não houver acordo dos países do Mercosul.

Uma norma do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela; com o Paraguai que não foi reincorporado ao bloco desde a suspensão em 2012) obriga os países a negociar acordos comerciais em conjunto. A Venezuela, último sócio a entrar para o bloco, ainda está adaptando suas normas e taxas alfandegárias e não apresentará uma oferta agora, segundo fontes ligadas às negociações.

No fim de novembro, o comissário europeu de comércio, Karel De Gucht, afirmou que o Mercosul é que "deve nos dizer com que configuração quer discutir" um TLC com a UE.

"É sua escolha. Nos prometeram fazer ofertas antes do fim do ano, no mais tardar ao fim do terceiro trimestre (...)", disse na época De Gucht.

Na quinta-feira, o chefe de gabinete argentino, Jorge Capitanich, afirmou em Buenos Aires que há avanços nas negociações com o Brasil para um acordo de livre comércio do Mercosul com a UE.

"Estamos trabalhando com a maior combinação da oferta, chegando a uma que certamente superará 80% de bens e serviços (com a UE)", disse Capitanich.

O ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou, por sua vez, que a nova proposta será analisada na próxima semana para ser levada a Bruxelas no dia 19 de dezembro.

*Atualização às 14h14 do dia 06/12/2013

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