(Diogo Zacarias/MF/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 10h27.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 10, que o Brasil está maduro para discutir um novo desenho dos programas de assistência social.
Segundo Haddad, isso inclui uma possível reorganização de benefícios como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
"Assim como o governo Fernando Henrique legou uma série de programas que depois puderam ser organizados de forma inovadora, entendo, olhando o orçamento, que o Brasil esteja maduro para uma forma mais criativa", disse durante painel do CEO Conference do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).
Haddad explicou que diante do volume de recursos direcionados a políticas como Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada) seria ideal discutir uma nova arquitetura de proteção social que seja mais racional e eficiente.
"Seria como o que o presidente Lula fez em 2003. Estava cheio de programa e o Bolsa Família veio como um grande guarda-chuva como um programa que ganhou o mundo. Talvez estevamos em um momento de pensar nessa nova arquitetura", afirmou.
O ministro citou a proposta de Renda Básica como uma das alternativas, mas não detalhou quais benefícios seriam fundidos nem apresentou proposta concreta, destacando que a discussão continua em estágio inicial e aberta ao escrutínio público e político.
"Todo mundo defende a Renda Básica porque ela parece mais racional a luz das inúmeras demandas sociais que existem", disse.
O chefe da Fazenda afirmou ainda que estudos são realizados no governo e pela academia, mas que não tem uma proposta clara. Ele deixou claro que essa é uma ideia para ser discutida pelos candidatos à presidência da República.
A fala de Haddad ocorre em meio a projeções do governo de que os gastos com programas sociais acelerar nos próximos anos.
Segundo cálculos da Fazenda, os gastos com BPC devem saltar de R$ 127,2 bilhões em 2025 para R$ 300 bilhões em 2035. Os recursos direcionados para Bolsa Família também devem subir de R$ 87,8 bilhões para R$ 171,3 bilhões em 10 anos.