Economia

Após ata, aposta por corte de 0,5 ponto na Selic em março ganha força

64% dos contratos nas Opções de Copom da B3 projetam corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião

Galípolo: comunicado mais explícito aumento as expectativas para o corte da Selic (Raphael Ribeiro/BC/Flickr)

Galípolo: comunicado mais explícito aumento as expectativas para o corte da Selic (Raphael Ribeiro/BC/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 06h00.

Com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizando o início do ciclo de corte da Selic a partir de março, o mercado passou a precificar com mais força a possibilidade de uma primeira redução de 0,50 ponto percentual, e não mais de 0,25 ponto percentual, como era a aposta majoritária até o fim de janeiro.

Segundo os contratos de Opções de Copom da B3, instrumento que capta a expectativa dos agentes financeiros para a próxima reunião do Banco Central, 64% apostam em uma queda de 0,5 ponto percentual, enquanto apenas 24% esperam uma redução mais moderada, de 0,25 p.p.

A mudança de percepção começou logo após a decisão que manteve a Selic em 15%, maior nível em 20 anos, e se intensificou com a publicação da ata, vista como mais clara e incisiva quanto à intenção de iniciar cortes.

A leitura do mercado é que o Banco Central pode começar o ciclo com uma dose maior de estímulo.

A avaliação anterior era de uma abordagem mais cautelosa, com início em 0,25 p.p. Mas, segundo analistas, o comunicado e a ata surpreenderam ao serem mais transparentes sobre os próximos passos.

Para Rafael Cardoso, economista-chefe do banco Daycoval, a reação dos investidores tem relação direta com a mensagem da autoridade monetária.

"Ele falou abertamente sobre os próximos passos, em uma espécie de forward guidance, por isso temos um degrauzinho um pouco mais dovish", disse.

A ata ressalta, no entanto, que ainda são necessárias novas informações para confirmar o ritmo de desaceleração da economia, que segue com um mercado de trabalho aquecido.

Cardoso destaca também que a inflação corrente mais baixa e o câmbio mais valorizado do que o previsto nos modelos do BC reforçam a possibilidade de corte de 0,50 p.p.

"Nosso cenário base é 0,25 p.p., mas não desconsideramos um corte maior justamente por esses pontos", afirmou.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, também vê espaço para uma distensão maior na política monetária. Para ele, há uma percepção do mercado de que os dados recentes indicam que o BC foi mais hawkish do que o necessário.

"Havia a visão de que, dado o atraso do BC, ele poderia acelerar a queda. O corte de 0,5 p.p. se torna coerente com o comportamento recente do comitê", disse Vale.

Apesar da mudança nas apostas dos investidores, a maioria dos economistas ouvidos pela EXAME ainda aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de março.

Esses analistas se baseiam na sinalização do BC de que o início do ciclo será feito com "serenidade", com o objetivo de assegurar a convergência da inflação para a meta.

A autoridade monetária reforçou que, embora esteja em curso um ciclo de cortes, não deve haver uma redução drástica da Selic ao longo de 2026. O Boletim Focus projeta a taxa encerrando o ano em 12% ao ano.

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