Até ricos se recusam a pagar preços de produtos de luxo

A crítica de Kanye West à Louis Vuitton é um sinal de que algumas empresas de luxo podem estar cobrando muito caro, afastando até mesmo os clientes mais ricos

Paris – Kim Kardashian pode muito bem fazer travessuras neste Natal, porque mesmo que ela seja boazinha é improvável que seu noivo lhe dê de presente uma bolsa Louis Vuitton.

O rapper Kanye West, que deu a Kardashian, uma estrela de reality show da TV americana, um anel de diamantes milionário para comemorar o noivado, disse recentemente em um programa de rádio dos EUA que os preços da Louis Vuitton são “simplesmente muito extremos”.

A crítica de West, que colaborou com a marca de Paris em produtos como sneakers de US$ 1.000, é um sinal de que algumas empresas de luxo podem estar cobrando muito caro, afastando até mesmo os clientes mais ricos.

Os preços dos produtos de luxo estão aumentando em uma tentativa das marcas de se moverem para o topo do mercado em meio a uma desaceleração das vendas. A mudança, que frequentemente inclui o uso de materiais mais caros, é desenhada para restaurar um verniz de exclusividade após anos produzindo bolsas de marca adquiridas por compradoras do mundo inteiro.

A estratégia é uma resposta a consumidores, muitos na Ásia, que estão abandonando as marcas por designs que eles consideram mais luxuosos. O problema é que apenas um punhado de marcas pode ter sucesso nisso, segundo Rahul Sharma, diretor-geral da Neev Capital, uma empresa de assessoria de Londres que monitora a indústria do luxo.

“Há pessoas que vão pagar só porque é Hermès, Dior ou Chanel”, disse Sharma. “É um pouco mais difícil a Gucci ou a Louis Vuitton” cobrarem mais, devido à dependência em relação ao mercado de massa”.


Desaceleração do crescimento

O crescimento orgânico da receita da divisão de moda e produtos de couro da LVMH, da qual a Vuitton é a maior marca, caiu para 3 por cento no terceiro trimestre, enquanto a Kering SA reportou o crescimento mais fraco em quatro anos de sua marca Gucci no mesmo período.

Por outro lado, no mês passado a Hermès International SCA elevou sua meta de vendas para o ano-cheio dizendo que elas subirão mais de 11 por cento.

A dona da Vuitton, a LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton SA, preferiu não comentar essa reportagem e a Gucci não respondeu aos pedidos por comentários. Um representante de West preferiu não comentar, enquanto um representante de Kim Kardashian não deu retorno a telefonemas e e-mails.

O preço médio das bolsas de couro da Vuitton sem logotipos subiu 13 por cento nos primeiros nove meses de 2013, quando a marca lançou as linhas W, de US$ 3.850, e Capucine, de US$ 5.350, estima o Exane BNP Paribas.

O aumento é quase o dobro da taxa anual pela qual a Vuitton, a maior marca da LVMH, elevou os preços de suas bolsas de viagem de lona ao longo da última década.


As marcas mais elitistas também estão ficando mais caras. A bolsa Jumbo Flap, da Chanel, que custava US$ 2.650 em 2010, atualmente é vendida por US$ 4.900, enquanto o preço de uma bolsa de tamanho médio Lady Dior mais que dobrou, para quase US$ 4.000 no período, segundo Sharma.

Enquanto as marcas de luxo europeias elevam os preços, rivais americanas como a Michael Kors Holdings Ltd., fabricante de vestidos de malha de US$ 120, e a Tory Burch, fabricante de bolsas de US$ 575, estão ganhando participação com produtos mais acessíveis. As vendas da Kors deverão liderar a indústria, com um crescimento de 24 por cento em 2014, segundo dados compilados pela Bloomberg. A elevação é mais de duas vezes a taxa estimada de crescimento da LVMH e três vezes e meia o ritmo da Kering, mostram os dados.

A concorrência não significa que as grandes casas de luxo europeias baixarão os preços logo, segundo Fiona Harkin, vice-presidente sênior de conteúdo na empresa de assessoria Stylus, em Londres.

As empresas reconheceram que seus clientes mais ricos estão à procura de um luxo menos visível, mesmo que isso custe mais, disse ela, e aqueles que aspiram à riqueza extrema seguirão o exemplo — se puderem pagar por isso.

“Isso é luxo discreto”, disse Harkin. A tendência “pode muito bem ser um legado duradouro de uma era de austeridade e um resultado de uma diferença cada vez maior entre ricos e pobres”.

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