Lua: Nasa voltou à órbita do satélite neste ano (Montagem/Exame/Getty Images)
Repórter
Publicado em 7 de abril de 2026 às 06h02.
Na noite desta segunda-feira, 6, a missão Artemis II concluiu seu sobrevoo lunar e estabeleceu um novo recorde de distância para voos tripulados. O feito valida sistemas críticos da Nasa, mas não encerra a nova fase da exploração espacial. Pelo contrário, inaugura outra disputa: a transformação da Lua em um mercado operacional.
A próxima etapa já não é liderada apenas por governos. A partir deste ano, missões privadas devem testar, pela primeira vez, a extração direta de recursos como hélio-3, água congelada e metais raros. O objetivo é converter o potencial estimado de US$ 30 trilhões em modelos de negócio viáveis.
O ecossistema combina startups e contratantes tradicionais. Parte das empresas depende de contratos públicos, enquanto outras buscam desenvolver cadeias próprias de exploração.
| Empresa | Sede | Funding | Missão 2026 | Foco Principal | Parceiros |
|---|---|---|---|---|---|
| Interlune | EUA | US$ 18 milhões | Crescent Moon | Hélio-3 | DOE, Maybell Quantum |
| Ispace | Japão/EUA | Não divulgado | Missão 3 | Transporte lunar | JAXA, parceiros globais |
| Astrobotic | EUA | Contratos NASA | Griffin Mission 1 | Logística lunar | NASA (CLPS) |
| Firefly Aerospace | EUA | Não divulgado | Blue Ghost (continuidade) | ISRU e cargas | NASA |
| Lunar Outpost | EUA | Não divulgado | Rover lunar | Mobilidade e mineração | NASA |
| Ethos Space | Não divulgado | Não divulgado | Em desenvolvimento | Infraestrutura lunar | Parcerias privadas |
| Origin.Space | China | Não divulgado | Missões futuras | Mineração espacial | Governo chinês |
O modelo atual ainda não depende da venda direta de recursos. A receita vem de contratos com agências espaciais, principalmente o programa CLPS da Nasa, que financia missões comerciais com valores entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões por operação.
Outra frente é o desenvolvimento de tecnologias de in-situ resource utilization (ISRU), vendidas como serviço para futuras bases lunares. Empresas também firmam parcerias com o setor de energia, incluindo projetos ligados à fusão nuclear, onde o hélio-3 é tratado como ativo estratégico.
No longo prazo, a monetização depende da extração. O hélio-3 pode atingir até US$ 20 milhões por quilo, segundo estimativas de mercado.
A agenda de lançamentos indica uma transição da teoria para a prática.
A Interlune prevê três etapas até 2029, culminando na missão Harvest Moon, que pretende extrair e retornar hélio-3 à Terra.
A taxa de falha ainda é elevada. Tentativas recentes, como o lander Peregrine (2024) e a missão Hakuto-R (2023), não completaram seus objetivos.
O Brasil ainda não possui missões próprias, mas pode integrar a cadeia produtiva.
Empresas como a Vale têm expertise em mineração em ambientes extremos, potencialmente aplicável a operações robotizadas. A Embraer pode atuar no fornecimento de sistemas eletrônicos e componentes aeroespaciais.
No campo institucional, o país aderiu aos Artemis Accords, o que abre espaço para cooperação internacional e participação em projetos futuros.
A expectativa de mercado aponta para o fim da década como marco inicial. A missão Harvest Moon, da Interlune, prevista para o período entre 2027 e 2029, busca realizar a primeira extração comercial.
Segundo estimativas da PwC, a economia lunar pode movimentar cerca de US$ 150 bilhões até 2040, com expansão gradual conforme os custos de transporte caem.
Hoje, operar na Lua ainda envolve custos elevados — estimados em até US$ 1,2 milhão por litro de carga. Empresas projetam reduzir esse valor para cerca de US$ 10 mil com sistemas reutilizáveis.
O potencial econômico é elevado, mas depende de execução. A exploração lunar combina alta incerteza tecnológica com investimentos intensivos.
A Artemis II validou a capacidade de levar humanos de volta ao entorno da Lua. A próxima fase testa se é possível transformar esse avanço em um modelo econômico sustentável.
O resultado determinará se a mineração lunar deixará de ser projeção para se tornar indústria.