Produção de vacinas da covid-19 é preocupação, alerta a EXAME Gavekal Research

Parceria da casa de análises da EXAME com a consultoria global alerta para dificuldades em produzir vacinas na escala prometida pelas fabricantes
Vacinas: na avaliação da Gavekal, fabricantes podem ter dificuldades em entregar o que foi prometido (Acácio Pinheiro/Agência Brasília/Agência Brasil)
Vacinas: na avaliação da Gavekal, fabricantes podem ter dificuldades em entregar o que foi prometido (Acácio Pinheiro/Agência Brasília/Agência Brasil)
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Tamires Vitorio

Publicado em 05/02/2021 às 10:21.

Última atualização em 05/02/2021 às 11:51.

As farmacêuticas, em 2020, pretendem produzir mais do que o dobro das vacinas que foram produzidas em 2018 para conseguir combater a pandemia do novo coronavírus. No entanto, uma preocupação precisa ser levada em conta: a de que os fabricantes simplesmente não cumpram suas metas de produção. É isso que mostra o mais novo relatório do EXAME Gavekal Research.

"Os governos aprovaram várias vacinas, e os fabricantes afirmam que até o final de 2021 produzirão 11 bilhões de doses por ano. A maioria das economias desenvolvidas visa vacinar totalmente sua população adulta até o final do ano. Essa meta é alcançável, porém assustadora", escreve no relatório Dan Wang, analista de tecnologia na Gavekal. Para ele, conversas como a da farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca, que afirmou à União Europeia que não vai conseguir entregar todas as doses prometidas, pelo menos por ora, "deixam claro que essas quedas de produção podem facilmente continuar acontecendo."

Wang também aponta que a preparação dos diferentes tipos de vacina aprovada para uso emergencial (mRNA, vírus inativado e de vetor viral) também trazem problemas, que começam com o processo de "envezar e finalizar", ações que preparam a vacina para a distribuição. "Um gerente de produção disse que a capacidade atual nas linhas de inspeção de envasamento e acabamento é muito menor do que o necessário para uma rápida campanha global de vacinação", escreve.

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O especialista, como diversas associações pelo mundo, mostra preocupação com uma vacina em especial: as de RNA mensageiro, ou mRNA, uma tecnologia nova que precisa ser enviada e armazenada em freezers ultracongelados (-70 ° C graus para Pfizer e -20 ° C para Moderna), "com rastreadores de temperatura para garantir que a vacina nunca se estrague."

"Manter essa cadeia de frio será um risco particular nos países em desenvolvimento. Finalmente, abundantes suprimentos de equipamento médico básico serão necessários no local onde as agulhas entram nos braços: seringas, cotonetes, luvas médicas e assim por diante. As deficiências em qualquer um desses insumos podem desacelerar as iniciativas de inoculação, mesmo que os suprimentos de vacina sejam abundantes", diz.

Para Wang, algumas decisões tomadas por agências reguladoras para uma aprovação precoce das vacinas e uma produção mais rápida podem apresentar riscos de segurança de produção mais elevados, levando às pessoas a terem mais ou piores efeitos colaterais, diminuindo as taxas de inoculações.

No relatório denominado "Riscos na cadeia de suprimentos para a vacina contra o Covid", Wang analisa as principais dificuldades que as farmacêuticas enfrentam para produzir todas as vacinas que prometeram no mundo todo. Leia mais na EXAME Research.