Nariz entupido? Não: entenda por que as narinas se alternam (Thinkstock/BananaStock)
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Publicado em 17 de março de 2026 às 09h42.
Se você respirar fundo agora, vai perceber que uma narina vai "puxar" mais ar do que a outra. Saiba que isso provavelmente não tem nada a ver com uma doença ou alergia, pois é algo que acontece com todo mundo o tempo todo. As informações são do The Conversation.
Esse fenômeno faz parte de um processo natural chamado ciclo nasal, que regula a respiração ao longo do dia. Trata-se de um mecanismo automático em que o corpo alterna qual narina deixa passar mais ar. Isso acontece várias vezes ao dia, geralmente a cada duas horas enquanto estamos acordados.
Durante esse período, uma narina fica mais aberta (descongestionada), enquanto a outra tem o fluxo de ar reduzido. Após um tempo, os papéis se invertem. Quando estamos dormindo, essa alternância ocorre com menos frequência, porque a respiração fica mais lenta e o volume de ar que entra e sai do corpo diminui.
Esse sistema existe por dois motivos: proteção e recuperação. Todos os dias, cerca de 12 mil litros de ar passam pelo nariz, que funciona como uma espécie de filtro para o sistema respiratório. Ao alternar a narina dominante, o corpo evita que uma delas fique sobrecarregada.
A narina que está mais aberta fica mais exposta ao ar, o que pode ressecar os tecidos e aumentar o contato com partículas e microrganismos. Por isso, o corpo precisa alternar qual lado faz mais esforço.
Enquanto uma trabalha mais, a outra "descansa". Parte desse processo envolve o aumento do fluxo sanguíneo nos vasos do nariz, mantendo os tecidos umedecidos e facilitando a recuperação da mucosa nasal. Também ajuda a aquecer e umidificar o ar antes que ele chegue aos pulmões.
Todo esse mecanismo acontece automaticamente. O ciclo nasal é regulado pelo hipotálamo, uma região do cérebro que controla várias funções involuntárias do corpo. Ou seja, você não precisa fazer nada para ele funcionar.
Embora seja um processo natural, algumas condições podem interferir nesse equilíbrio. Resfriados e gripes, por exemplo, aumentam a produção de muco e dificultam a alternância entre as narinas. Alergias ou ácaros também podem causar inflamação nos tecidos do nariz.
Fatores simples do dia a dia também podem interferir temporariamente na respiração: quando nos deitamos, por exemplo, o sangue tende a se acumular nos tecidos do nariz. A gravidade também faz com que o conteúdo dos seios nasais se desloque para o lado mais próximo do travesseiro e, com isso, a narina que fica voltada para baixo pode ficar mais congestionada.
Outro fator é o uso excessivo de descongestionantes nasais. Quando utilizados por mais de cinco dias seguidos, esses remédios podem causar a chamada rinite medicamentosa, uma congestão causada pelo uso prolongado da substância.
Certos medicamentos — como alguns usados para pressão alta — podem irritar a mucosa nasal, porque afetam os vasos sanguíneos do corpo inteiro, incluindo os do nariz.
Em alguns casos, alterações na estrutura do nariz podem impedir que o ciclo nasal funcione corretamente. Os pólipos nasais, que são crescimentos benignos do tecido nasal, aparecem em até 4% das pessoas e podem bloquear a passagem de ar nas duas narinas.
Já o desvio de septo — quando a cartilagem que separa as narinas está desalinhada — pode causar sensação constante de nariz entupido. Em situações mais graves, pode ser necessária uma cirurgia para melhorar a respiração e até a qualidade do sono.
Se o nariz estiver entupido, as causas mais comuns costumam ser infecções respiratórias, como resfriados ou gripes. Nesses casos, a congestão melhora geralmente em até duas semanas. Já a sinusite pode durar cerca de quatro semanas, assim como alergias sazonais, que podem ser suavizadas com anti-histamínicos.
No entanto, se uma narina continuar bloqueada por mais de duas semanas, especialmente se houver secreção nasal incomum, o ideal é procurar um médico para avaliação.