Ciência

Por que algumas pessoas vivem mais? DNA pode ter a resposta

Estudo revisa dados de gêmeos e indica influência genética bem maior do que estimativas anteriores

DNA: cientistas estudaram genes de gêmeos para analisar os fatores genéticos e externos que afetam a expectativa de vida (Yuichiro Chino/Getty Images)

DNA: cientistas estudaram genes de gêmeos para analisar os fatores genéticos e externos que afetam a expectativa de vida (Yuichiro Chino/Getty Images)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 06h30.

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Um novo estudo publicado em janeiro na revista científica Nature concluiu que cerca de 55% da variação do tempo de vida humano é explicada por fatores genéticos. O índice é mais que o dobro das estimativas anteriores, que variavam entre 10% e 25%.

A análise foi conduzida por pesquisadores liderados por Ben Shenhar, biofísico do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel. Segundo os autores, os resultados podem acelerar a identificação de genes ligados ao envelhecimento e a doenças associadas à idade.

De acordo com Shenhar, estimativas anteriores subestimaram o papel da genética por não separarem adequadamente mortes causadas por fatores externos, como acidentes e doenças infecciosas, daquelas associadas a processos internos do organismo, como o desgaste celular ao longo do tempo.

Análise de gêmeos

Para isolar esses efeitos, os pesquisadores reavaliaram dados de estudos com gêmeos na Dinamarca e na Suécia, além de informações sobre irmãos centenários nos Estados Unidos, com registros que remontam ao século XIX.

Gêmeos idênticos compartilham 100% do DNA, enquanto gêmeos fraternos e outros irmãos compartilham cerca de 50%. A comparação da semelhança entre os tempos de vida desses grupos permitiu estimar a hereditariedade da longevidade.

Os resultados mostram que, ao excluir mortes por causas externas, a influência genética se torna mais evidente. Nos dados do final do século XIX e início do XX, quando infecções eram causa frequente de morte precoce, o sinal genético era quase inexistente. Esse efeito cresce ao longo do século XX, acompanhando avanços em saúde pública.

Doenças com herança genética

O estudo também identificou diferenças entre causas de morte. Doenças como demência e doenças cardiovasculares apresentaram alta influência genética. Já o câncer mostrou hereditariedade significativamente menor, sugerindo maior peso de mutações aleatórias ou fatores ambientais.

Os autores ressaltam que os resultados não indicam um destino genético fixo. Segundo Shenhar, escolhas de estilo de vida continuam sendo determinantes para o envelhecimento saudável.

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