Flávio Bolsonaro: o senador acusou o PT de utilizar recursos públicos para favorecer a candidatura de Lula e de promover a disseminação de informações falsas durante a disputa (Mauro Pimentel /AFP)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 18h14.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira, 26, que pretende pedir a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito no domingo, 25. A declaração representa uma mudança em relação ao discurso do dia anterior, quando Flávio disse que buscaria a anulação da eleição. O senador também afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e estar proibido de deixar o Brasil por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira, 26, que irá pedir a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vencedor da eleição presidencial de domingo, 25, sob a alegação de abuso de poder político e econômico durante a campanha.
O anúncio representa uma mudança no discurso do candidato derrotado, que havia afirmado no domingo que pediria a anulação da eleição.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio acusou o PT de utilizar recursos públicos para favorecer a candidatura de Lula e de promover a disseminação de informações falsas durante a disputa. O senador não apresentou, na declaração, provas que comprovem as acusações.
"O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil. Essa é a maior prova que a reeleição tem que acabar", afirmou.
"Então, eu vou pedir sim a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo, a competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou", disse.
No domingo, após a derrota, Flávio havia afirmado que pediria a anulação do resultado eleitoral por causa da prorrogação da votação até as 19h em todo o país.
A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos apresentados pelas campanhas de Lula e do próprio Flávio.
O senador voltou a questionar a decisão nesta segunda-feira e disse que as circunstâncias da prorrogação precisam ser esclarecidas.
"O que aconteceu nesse domingo da eleição não foi normal, todo mundo viu. Pela primeira vez na história do Brasil, um ministro do STF, no caso, ex-advogado do Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até às 7 horas da noite", afirmou.
Flávio também questionou o impacto da extensão do horário de votação sobre o resultado. Na declaração divulgada, porém, não apresentou evidências de que a medida tenha alterado o resultado da disputa.
Durante o mesmo vídeo, o senador afirmou que recebeu uma intimação da Polícia Federal (PF) para entregar seus passaportes e que está proibido de deixar o Brasil.
Segundo Flávio, a abordagem ocorreu na manhã desta segunda-feira, após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
"Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula me intimou na rua. Eu fui intimado para entregar meu passaporte e também estou proibido de deixar o país", disse.
O senador afirmou que a restrição foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes na noite de domingo, após a divulgação do resultado da eleição presidencial.Segundo Flávio, a decisão teria sido motivada por uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que defendeu que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição.
O senador negou que tenha considerado sair do país e classificou a determinação como uma tentativa de intimidação política.
"Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar", afirmou.
O senador é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Um deles apura suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O outro investiga suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Esse segundo caso está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes e apura movimentações financeiras envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento vinculadas ao advogado.
As investigações estão em andamento e não representam condenação dos envolvidos.
Além de anunciar que pretende contestar judicialmente o resultado eleitoral, Flávio afirmou que continuará atuando na oposição ao governo Lula.
O senador disse que pretende reunir deputados e senadores eleitos pelo PL para definir uma estratégia de atuação no Congresso Nacional.
"Eu vou reunir os deputados e senadores eleitos para organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza contra a barbárie que já tá desenhada para acontecer com mais 4 anos de Lula", afirmou.
Flávio ficará sem mandato parlamentar a partir de 2027, após 24 anos de atuação no Legislativo.