Animais e robôs: olfato, autonomia e instinto explicam por que a tecnologia não substitui tudo (iStock/Thinkstock)
Redatora
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 4 de fevereiro de 2026 às 06h12.
Mesmo em uma era marcada por automação, inteligência artificial e robótica avançada, há tarefas especializadas que continuam dependendo exclusivamente de habilidades naturais de animais.
De ratos treinados para detectar minas terrestres a cães capazes de identificar doenças pelo olfato, esses profissionais não humanos realizam funções que nem pessoas nem máquinas conseguem reproduzir com a mesma eficiência.
Conforme destacado pela BBC News Brasil, gatos-gigantes-africanos treinados pela ONG Apopo conseguem vasculhar uma área equivalente a uma quadra de tênis em cerca de 20 minutos — uma tarefa que levaria até quatro dias para humanos usando detectores de metal. A explicação está no olfato extremamente sensível desses animais, capazes de identificar vapores de explosivos como o TNT mesmo em terrenos contaminados por sucata metálica.
Leves o suficiente para não acionar minas sensíveis à pressão, os chamados HeroRATs já ajudaram a limpar mais de 120 milhões de metros quadrados de áreas contaminadas por explosivos em países como Angola, Camboja e Azerbaijão. Segundo os treinadores, em mais de duas décadas de trabalho, nenhum rato foi ferido em campo.
Cachorros treinados para biodetecção médica conseguem identificar doenças como câncer, Parkinson, epilepsia, malária e até Covid-19 apenas pelo cheiro. Com cerca de 300 milhões de receptores olfativos — contra cerca de 5 milhões nos humanos —, eles detectam alterações químicas imperceptíveis para exames convencionais.
Pesquisadores explicam que, além do olfato, a motivação emocional dos cães é decisiva. Diferentemente de sensores eletrônicos, eles mantêm foco, consistência e vínculo com os treinadores, o que aumenta a precisão dos alertas. Em alguns casos, os animais também atuam como cães de assistência, avisando seus tutores sobre crises iminentes antes que os sintomas apareçam.
Com corpos longos, flexíveis e comportamento exploratório natural, furões são usados em tarefas que envolvem túneis, dutos e cavidades estreitas. Eles já atuaram na identificação de bloqueios em sistemas de drenagem, na passagem de cabos de fibra óptica e até em projetos científicos de alta complexidade.
Um caso histórico ocorreu nos anos 1970, quando uma doninha foi usada para atravessar tubos de vácuo em um laboratório de física de partículas nos Estados Unidos, permitindo a limpeza de estruturas que não podiam ser desmontadas. Até hoje, esses animais seguem sendo considerados “engenheiros naturais” em ambientes extremos.
De acordo com a reportagem, especialistas explicaram que o diferencial está na combinação entre sentidos altamente especializados, adaptação evolutiva e comportamento instintivo. Enquanto robôs dependem de programação e sensores limitados, animais conseguem interpretar ambientes complexos, improvisar e reagir a estímulos imprevisíveis em tempo real.
Além disso, muitos desses trabalhos exigem algo que a tecnologia ainda não consegue replicar plenamente: autonomia biológica, aprendizado associativo e vínculo emocional.
O avanço da tecnologia não eliminou a necessidade desses animais — em muitos casos, reforçou sua importância. Em cenários de guerra, desastres naturais, saúde pública e infraestrutura, eles continuam desempenhando papéis vitais, complementando o trabalho humano e preenchendo lacunas que a automação ainda não consegue resolver.
Com isso, enquanto robôs evoluem em velocidade, força e cálculo, há tarefas em que a natureza segue vários passos à frente.