Ciência

Hubble detecta galáxia sem estrelas dominada por matéria escura

Descoberta confirma teorias antigas sobre galáxias que não chegaram a se desenvolver

Imagem do Telescópio Espacial Hubble da galáxia "MACS0647-JD" em 15 de novembro   (AFP/AFP)

Imagem do Telescópio Espacial Hubble da galáxia "MACS0647-JD" em 15 de novembro (AFP/AFP)

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 07h04.

O Telescópio Espacial Hubble identificou um objeto inédito no universo próximo: uma nuvem rica em gás, sem estrelas e dominada por matéria escura. A estrutura recebeu o nome de Nube-9 e está localizada nas proximidades da galáxia espiral Messier 94, a cerca de 16 milhões de anos-luz da Terra.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional que utiliza o Hubble, projeto conjunto da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA). Os resultados foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

Segundo os astrônomos, a Nube-9 representa um novo tipo de objeto astronômico. Trata-se de uma estrutura que reúne gás e matéria escura, mas não conseguiu formar estrelas, o que levou os cientistas a classificá-la como uma “galáxia que não se formou”.

O que é a Nube-9 e por que ela chama a atenção?

De acordo com o pesquisador Alejandro Benítez-Llambay, da Universidade Milano-Bicocca, a ausência de estrelas é justamente o principal indício de que a teoria estava correta. Para ele, a Nube-9 funciona como um vestígio das primeiras fases da formação das galáxias no universo.

A nuvem pertence a uma classe chamada de Nuvens de Hidrogênio Limitadas pela Reionização, conhecidas pela sigla RELHIC. Essas estruturas surgiram nos primórdios do universo, mas não conseguiram reunir energia suficiente para dar início à formação estelar.

O termo “hidrogênio neutro” se refere ao gás mais comum do cosmos. Mesmo com grande quantidade desse material, a Nube-9 permaneceu sem estrelas, indicando que fatores ligados à matéria escura influenciam diretamente a evolução das galáxias.

Como o Hubble confirmou a ausência de estrelas

Para Andrew Fox, pesquisador do Instituto Científico do Telescópio Espacial, a descoberta ajuda a estudar a matéria escura, que não emite luz e, por isso, é difícil de observar. Segundo ele, a Nube-9 oferece uma rara oportunidade de analisar um objeto dominado por esse tipo de matéria.

Imagens obtidas pelo Hubble confirmaram que não há nenhuma estrela dentro da nuvem. Antes disso, existia a possibilidade de que se tratasse de uma galáxia muito fraca, invisível para telescópios terrestres. A alta sensibilidade do Hubble eliminou essa dúvida.

Estrutura, massa e equilíbrio da nuvem

A Nube-9 tem formato compacto e quase esférico. Seu núcleo de gás possui cerca de 4.900 anos-luz de diâmetro. As medições indicam que o gás presente equivale a aproximadamente um milhão de vezes a massa do Sol.

Já a quantidade de matéria escura ao redor pode chegar a cerca de cinco bilhões de massas solares. Segundo os cientistas, a nuvem está em um estado de equilíbrio. Se fosse maior, teria formado estrelas; se fosse menor, o gás teria se dispersado.

Como a nuvem foi descoberta?

A estrutura foi identificada inicialmente em observações feitas por radiotelescópios, como o FAST, na China. Outros instrumentos, nos Estados Unidos, confirmaram a presença de hidrogênio. A pesquisa destaca que a confirmação final da ausência de estrelas só foi possível com o Hubble.

A Nube-9 recebeu esse nome por ser a nona nuvem de gás detectada ao redor da galáxia Messier 94. Dados de rádio mostram pequenas distorções no gás, o que pode indicar algum tipo de interação entre a nuvem e a galáxia vizinha.

Acompanhe tudo sobre:TelescópiosNasaEstrelas

Mais de Ciência

Argentinos descendem dos europeus? Descobertas de arqueólogos mostram que não é 'bem assim'

Estudo chinês indica presença de água em Marte há 750 milhões de anos

Sem cérebro, mas com sono: águas-vivas dormem como humanos

Hérnia de disco: técnica brasileira reduz a necessidade de cirurgia