Ciência

Exame de sangue pode servir de 'relógio' para prever Alzheimer

Estudo identifica biomarcador capaz de prever, com anos de antecedência, o início dos sintomas da doença.

Alzheimer: Exame estima a idade provável de início dos sintomas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Alzheimer: Exame estima a idade provável de início dos sintomas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 08h00.

Um novo estudo de pesquisadores da Washington University School of Medicine, publicado nessa quinta-feira, 19, na revista Nature, sugere que um exame de sangue simples pode funcionar como um tipo de “relógio molecular” para prever não apenas se alguém desenvolverá a doença de Alzheimer — mas também aproximar quando os primeiros sintomas clínicos podem surgir.

Como funciona o teste?

O modelo desenvolvido pelos cientistas utiliza a medição de uma proteína no sangue chamada p-tau217, que está ligada ao acúmulo de placas e emaranhados de proteínas no cérebro, alterações que começam décadas antes dos sinais clínicos do Alzheimer.

Atualmente, testes de p-tau217 já são utilizados para auxiliar no diagnóstico da doença em pessoas com sintomas cognitivos, mas o novo estudo vai além e tenta estimar a idade em que os sintomas podem aparecer em indivíduos ainda cognitivamente saudáveis.

Resultados e previsibilidade

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 600 participantes de grandes estudos longitudinais sobre Alzheimer nos Estados Unidos e construíram modelos que estimam o tempo até o início dos sintomas, com uma margem de erro de cerca de 3 a 4 anos.

A precisão ainda não é suficiente para prever o início dos sintomas de forma individual para cada paciente, mas já representa um avanço substancial em comparação com modelos anteriores que não indicavam esse tempo.

Foi observado também que a idade influencia fortemente o intervalo entre biomarcador positivo e sintomas clínicos: se a p-tau217 aumenta aos 60 anos, os sintomas podem surgir em cerca de duas décadas, enquanto se isso acontece aos 80 anos, o intervalo pode se reduzir para cerca de 11 anos.

Impacto nos tratamentos

Uma ferramenta que estima quando os sintomas surgirão pode mudar o jogo em duas frentes principais:

  • Acelerar e aprimorar ensaios clínicos: ao identificar pessoas que provavelmente desenvolverão sintomas em um período específico, os pesquisadores podem selecionar participantes para testar terapias preventivas de forma mais eficiente, reduzindo custos e aumentando o poder estatístico dos estudos.

  • Planejamento clínico e pessoal: num futuro em que terapias preventivas eficazes estejam disponíveis, saber o intervalo provável até os sintomas poderia ajudar médicos e pacientes a planejar intervenções, mudanças no estilo de vida e estratégias de cuidado com mais antecedência.

Acompanhe tudo sobre:Pesquisas científicasMal de Alzheimer

Mais de Ciência

Para Obama, a vida extraterrestre é provável. Mas o que a ciência revela?

Uso precoce de celular amplia riscos à saúde das crianças

Quem é Simon, o único gato da história a receber uma medalha de guerra?

Pesquisa identifica célula que 'esconde' câncer dentro do corpo