Água em Marte: estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Geologia e Geofísica (IGG) da Academia Chinesa de Ciências (Derek Berwin/Getty Images)
Agência
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 16h33.
Geólogos chineses identificaram sinais de atividade aquosa em Marte há cerca de 750 milhões de anos com base na análise de dados coletados pelo rover Zhurong, veículo robótico da China que explora a superfície do planeta. A descoberta, publicada na National Science Review, indica que a presença de água no planeta vermelho se estendeu por centenas de milhões de anos além do que apontavam estimativas anteriores.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Geologia e Geofísica (IGG) da Academia Chinesa de Ciências e contribui para a compreensão da evolução climática de Marte, de seus processos geológicos e de sua potencial habitabilidade ao longo do tempo.
O rover Zhurong pousou na Utopia Planitia, em Marte, em maio de 2021. Até maio de 2022, percorreu 1.921 metros e coletou dados científicos por meio de instrumentos de superfície e de um radar de penetração no solo de alta frequência e quádrupla polarização, tecnologia comparável a uma tomografia computadorizada do subsolo.
Durante décadas, a comunidade científica sustentou que Marte entrou em uma fase globalmente árida há cerca de 3 bilhões de anos. No entanto, os dados de radar do Zhurong mostram que a região onde o rover pousou é coberta por uma camada sedimentar uniforme, com cerca de 4 metros de espessura, sob a qual crateras antigas permanecem enterradas.
Segundo Liu Yike, primeiro autor e pesquisador correspondente do estudo, a homogeneidade dessa camada descarta explicações como atividade vulcânica ou deposição eólica. “A única explicação razoável é que a área se formou em um ambiente sedimentar aquoso, semelhante a um mar raso ou a um grande lago”, afirmou.
Além disso, o radar identificou sedimentos estratificados em escala centimétrica, típicos de deposição em ambientes dominados por água. Esse padrão reforça a hipótese de que a região abrigou um corpo de água raso no passado geológico recente de Marte.
De acordo com Liu, as análises indicam que o local de pouso do Zhurong passou por um evento significativo de ressurgimento durante o período amazônico médio a tardio, quando a atividade aquosa ainda persistia no planeta. O período amazônico é considerado a fase mais recente da história marciana.
A descoberta amplia o debate sobre a longevidade da água líquida em Marte e reabre discussões sobre as condições necessárias para a vida microbiana no planeta.