Ciência

Em sala mais silenciosa do mundo, lagartas provam se conseguem ouvir

Experimentos em câmara anecoica mostram maior resposta a ruídos aéreos do que a vibrações da superfície

Lagarta: testes controlados indicam que pelos sensoriais detectam sons transmitidos pelo ar (CC/ Vladeb/ flickr.com/28122162@N04)

Lagarta: testes controlados indicam que pelos sensoriais detectam sons transmitidos pelo ar (CC/ Vladeb/ flickr.com/28122162@N04)

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16h11.

À primeira vista, as lagartas parecem incapazes de perceber sons ao seu redor, no entanto, um experimento recente provou o contrário. Pesquisadores da Universidade de Binghamton identificaram que esses animais detectam vibrações sonoras específicas. A descoberta ocorreu em uma das salas mais silenciosas do mundo.

Os testes foram realizados em uma câmara anecoica, ambiente projetado para eliminar ruídos externos. O espaço permite controle total das condições acústicas.

O estudo analisou o comportamento da lagarta da mariposa-do-tabaco, da espécie Manduca sexta. Os insetos reagiram fisicamente a estímulos sonoros controlados.

Durante o experimento, os cientistas separaram sons transmitidos pelo ar de vibrações da superfície. A metodologia permitiu identificar a origem exata das respostas.

As lagartas apresentaram movimentos bruscos ao serem expostas a determinadas frequências. Em alguns testes, reagiram a vozes humanas. Os dados indicam maior sensibilidade aos sons aéreos. A resposta foi significativamente menor às vibrações físicas.

As conclusões foram apresentadas em uma reunião conjunta da Sociedade Acústica da América e da Sociedade Acústica do Japão.

Como as lagartas detectam sons no ambiente

A audição das lagartas ocorre por meio de pelos sensoriais microscópicos. Essas cerdas estão concentradas no abdômen e no tórax.

Para confirmar a função, os pesquisadores removeram parte desses pelos. Após o procedimento, os insetos perderam a capacidade de detectar os sons.

O estudo aponta que o bater de asas de vespas predadoras gera estímulos captados nos pelos. O mecanismo atua como um sistema de alerta. A reação ao som transmitido pelo ar foi até 100 vezes maior do que à vibração da superfície. Com isso, o resultado comprovou a percepção sonora desses insetos.

O sistema é simples quando comparado ao ouvido humano. Ainda assim, apresenta alta eficiência. Engenheiros analisam essas estruturas para desenvolver microfones mais sensíveis.

Os resultados foram apresentados em um congresso internacional de acústica.

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