Ciência

Em risco de extinção, menor tartaruga do mundo enfrenta novo perigo: o ruído

Cientistas mapearam a sensibilidade auditiva do animal e abriram caminho para avaliar impactos do barulho subaquático

Tartaruga: estudo analisou a audição da tartaruga-de-kemp em áreas com tráfego intenso no Golfo do México (Getty Images/Getty Images)

Tartaruga: estudo analisou a audição da tartaruga-de-kemp em áreas com tráfego intenso no Golfo do México (Getty Images/Getty Images)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 16h14.

A tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii), considerada a menor tartaruga marinha do mundo, vive em uma das regiões mais barulhentas do oceano: áreas do Golfo do México e da costa leste da América do Norte, onde há tráfego intenso de navios e atividades industriais.

Um estudo publicado no The Journal of the Acoustical Society of America, e divulgado na revista de divulgação científica Popular Science, investigou quais sons a espécie consegue perceber e apontou que o animal é capaz de detectar frequências associadas a ruídos produzidos por embarcações e operações no mar.

As tartarugas-de-kemp estão entre as espécies marinhas mais ameaçadas do planeta e já enfrentam riscos como emalhe em equipamentos de pesca, colisões com barcos, poluição plástica e perda de habitat. Agora, pesquisadores tentam entender se o excesso de ruído subaquático pode representar mais um fator de pressão para a sobrevivência do animal.

O que a tartaruga-de-kemp consegue ouvir

Para medir a audição da espécie, os cientistas colocaram sensores na cabeça das tartarugas e registraram sinais elétricos ligados aos nervos auditivos enquanto os animais eram expostos a sons entre 50 e 1.600 hertz. Dentro da audição humana, 50 hertz está na faixa mais baixa do espectro.

Os resultados indicaram que a sensibilidade auditiva da tartaruga-de-kemp é maior em torno de 300 hertz e diminui conforme as frequências ficam mais altas. Na avaliação dos pesquisadores, essa faixa de melhor percepção coincide com sons de baixa frequência comuns em ambientes com tráfego marítimo e operações industriais.

Ruído de navios e impacto em tartarugas marinhas

De acordo com Charles Muirhead, pesquisador da Instituição Oceanográfica Woods Hole e coautor do estudo, confirmar que a espécie consegue detectar esse tipo de som é um passo importante para avaliar possíveis impactos do ruído humano.

O pesquisador ressalta, no entanto, que perceber um som não significa automaticamente que ele cause dano ou perturbação. A influência do ruído pode variar conforme fatores como volume, duração, distância da fonte e o contexto em que o animal está exposto.

Diante disso, a equipe afirma que pesquisas futuras poderão avançar para entender se e como ruídos de navios, perfuração de petróleo e gás e outras atividades no mar alteram o comportamento, a distribuição e a sobrevivência das tartarugas-de-kemp.

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