Ciência

Drink do espaço: beber álcool do 3I/ATLAS não é uma boa ideia; entenda

Pesquisadores detectaram grande quantidade de metanol no visitante interestelar que passou recentemente pelo Sistema Solar

Cometa interestelar 3I/ATLAS emite brilho esverdeado em novas imagens.  (Reprodução/International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/B. Bolin)

Cometa interestelar 3I/ATLAS emite brilho esverdeado em novas imagens. (Reprodução/International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/B. Bolin)

Publicado em 15 de março de 2026 às 08h19.

Um raro objeto interestelar que atravessou o Sistema Solar chamou a atenção dos cientistas por um detalhe incomum em sua composição química. Observações indicam que o 3I/ATLAS, um cometa vindo de outro sistema estelar, contém quantidades excepcionalmente altas de metanol, um tipo de álcool.

A descoberta foi descrita em um estudo publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters. A pesquisa analisou dados coletados por telescópios, incluindo o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), entre agosto e outubro, período que antecedeu o momento em que o objeto atingiu sua maior aproximação do Sol.

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já observado passando pelo Sistema Solar, o que torna cada detalhe sobre sua composição especialmente relevante para os cientistas.

O que há no cometa 3I/ATLAS?

Durante a aproximação do cometa ao Sol — fase conhecida como periélio — o calor faz com que o gelo presente no objeto se aqueça e libere gases e poeira. Esse material forma uma nuvem brilhante ao redor do núcleo chamada coma.

Foi nessa região que os pesquisadores identificaram a presença de metanol e cianeto de hidrogênio, duas moléculas orgânicas frequentemente observadas em cometas.

No entanto, a proporção de metanol encontrada no 3I/ATLAS chamou a atenção dos cientistas. Segundo os pesquisadores, o nível desse composto estava entre os mais altos já registrados em cometas estudados.

Por que o metanol é perigoso para humanos

O metanol é um tipo de álcool que pode provocar efeitos tóxicos graves em humanos, incluindo tontura, perda de visão, danos ao fígado e até morte.

No contexto espacial, porém, essa substância é considerada um composto orgânico importante para entender a formação de sistemas planetários.

Os pesquisadores também observaram que o metanol estava sendo liberado tanto do núcleo quanto da coma do cometa, o que fornece novas pistas sobre a origem e a composição química do objeto.

O que o objeto revela sobre outros sistemas solares

Outra característica observada em estudos anteriores é que a coma do 3I/ATLAS parecia ser dominada por gelo de dióxido de carbono quando o objeto estava mais distante do Sol.

Esses detalhes indicam que o cometa pode ter se formado em condições muito diferentes das encontradas na maioria dos corpos do nosso Sistema Solar.

Embora o 3I/ATLAS já esteja deixando a região interna do Sistema Solar, os dados coletados durante sua passagem devem continuar sendo analisados pelos cientistas.

Para os pesquisadores, cada observação desse tipo de visitante interestelar ajuda a entender melhor como materiais e moléculas se formam em outros sistemas estelares e quais diferenças existem em relação ao nosso próprio ambiente cósmico.

Acompanhe tudo sobre:EspaçoCuriosidadesBebidas

Mais de Ciência

Por que Ozempic não funciona para todos? Ciência identifica causa genética

Uma em cada 10 pessoas pode ter resistência a remédios como Ozempic e Wegovy

'Não processei o que fizemos': astronautas da Artemis 2 relatam missão à Lua

Nasa divulga fotos do retorno dos astronautas da Artemis II