Chuva de meteoros Orionídeas: fenômeno poderá ser visto em todo o Brasil nesta madrugada. (Freepik)
Repórter
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 12h34.
A passagem da Terra por fragmentos deixados pelo cometa Halley deve provocar uma chuva de meteoros visível no Brasil na madrugada desta quarta-feira, 21. Conhecido como Orionídeas, o fenômeno chega ao pico de atividade com previsão de 20 ou mais meteoros por hora sob condições ideais de observação, segundo a International Meteor Organization (IMO).
A janela indicada para acompanhar a chuva vai de 1h40 até o amanhecer, após o ocaso da Lua. A observação poderá ocorrer em todas as regiões do país, mas dependerá da presença de nuvens e da iluminação no local. As informações são da Agência Gov, com base em orientações do Observatório Nacional.
Os meteoros dessa chuva podem alcançar 66 quilômetros por segundo e deixar rastros que permanecem no céu por alguns segundos. Segundo o astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do Projeto Exoss, parceiro do observatório, alguns também apresentam brilho intenso.
A segunda metade da madrugada desta quarta-feira, 21, reúne as condições indicadas para acompanhar o pico. A partir de aproximadamente 1h40, a Lua já terá desaparecido no horizonte, o que reduz a interferência do luar.
Em 2026, a fase crescente, com cerca de 77% do disco lunar iluminado, pode prejudicar a visualização antes desse horário. Depois do ocaso, o céu fica mais escuro e favorece a identificação dos meteoros.
Embora o fenômeno possa ser visto em todo o território brasileiro, Norte e Nordeste terão uma vantagem, de acordo com De Cicco. Nessas regiões, o radiante — ponto do céu de onde os meteoros parecem partir — alcançará uma altura maior em relação ao horizonte.
O período de atividade das Orionídeas se estende de 2 de outubro a 7 de novembro. O pico corresponde à previsão de maior atividade dentro desse intervalo.
A observação pode ser feita a olho nu, sem telescópios ou outros equipamentos. A prioridade é encontrar um lugar com pouca iluminação e uma visão ampla do céu.
No Hemisfério Sul, a orientação é voltar o olhar para as direções norte e nordeste. Não é necessário concentrar a atenção na constelação de Órion, que dá nome à chuva de meteoros. Para acompanhar trajetórias mais longas, a recomendação é observar uma área entre 30 e 45 graus afastada dela.
Alguns cuidados podem favorecer a experiência:
A origem da chuva de meteoros está no material que o Halley deixou ao longo de sua órbita. Quando a Terra atravessa essa faixa de detritos, as partículas entram na atmosfera e produzem os rastros de luz.
O cometa retorna à região próxima da Terra em intervalos de aproximadamente 75 ou 76 anos. Os fragmentos, porém, continuam no espaço mesmo quando ele está distante e dão origem ao fenômeno quando encontram a atmosfera terrestre.
O Halley também está associado à Eta Aquáridas, outra chuva de meteoros, que ocorre em maio.
As chamadas estrelas cadentes são o resultado da entrada de partículas na atmosfera em alta velocidade. A interação com o ar libera energia e produz a luz observada do solo.
Esses fragmentos, chamados meteoroides antes de atingir a atmosfera, podem ter dimensões que vão de grãos de poeira a pedregulhos. Em geral, eles se desintegram durante a passagem pelo ar.
No caso das Orionídeas, a velocidade de até 66 quilômetros por segundo favorece rastros que podem persistir por alguns segundos. A chuva também pode apresentar bólidos, meteoros de brilho excepcional que, em determinadas situações, exibem tons esverdeados.
O estudo desses eventos fornece informações sobre a composição dos cometas e a formação do Sistema Solar. Os registros também permitem estimar o volume de partículas que alcançam a atmosfera e avaliar riscos para equipamentos e veículos espaciais.
Câmeras DSLR, modelos mirrorless, sem espelho, e celulares com controles de fotografia podem registrar o fenômeno. Como não é possível prever o instante em que cada meteoro aparecerá, a orientação é fazer uma sequência de imagens e manter o equipamento estável.
Para câmeras com ajustes manuais, o material divulgado pelo Observatório Nacional apresenta os seguintes parâmetros:
Os ajustes devem considerar as condições do céu e as características da câmera. Um ambiente com pouca luz artificial também favorece o registro dos rastros.
Fotos, vídeos e relatos de observação podem contribuir para o trabalho da rede Exoss, que analisa registros do público para investigar a origem e as características dos meteoros.
Quem avistar um evento de brilho intenso pode encaminhar as informações pela plataforma Exoss/IMO Fireball Report, destinada a relatos de bólidos. O registro deve incluir, sempre que possível, o horário exato da ocorrência e a indicação do fuso utilizado, como o horário de Brasília ou o Tempo Universal Coordenado (UTC).
Com apoio do Observatório Nacional, a Exoss mantém estações de monitoramento em diferentes localidades. Entre elas estão a sede do observatório, no Rio de Janeiro, e o Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica, em Pernambuco.