Planeta Terra: Cientistas investigam como o tamanho dos planetas e as características de suas estrelas podem criar ambientes propícios à vida. (Freepik)
Repórter
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 15h52.
A Terra é o único planeta onde a existência de vida foi confirmada. Isso, porém, não significa que reúna as melhores condições para abrigá-la. Cientistas investigam a hipótese de que outros mundos possam oferecer ambientes mais favoráveis ao surgimento de organismos e à sua permanência por períodos mais longos.
Chamados de planetas superabitáveis, esses mundos ampliam os critérios da busca por vida fora do Sistema Solar. Em vez de procurar apenas ambientes semelhantes ao terrestre, os pesquisadores estudam quais combinações de temperatura, água líquida e estabilidade poderiam favorecer a diversidade biológica.
O conceito ganhou destaque em um estudo publicado em 2014 pelos astrônomos René Heller e John Armstrong. Os autores questionaram a ideia de que um planeta parecido com a Terra seria, necessariamente, o lugar mais adequado para encontrar vida.
Entre as possibilidades estão as super-Terras, planetas rochosos maiores e mais massivos que o nosso. Sob determinadas condições, esses mundos poderiam conservar uma atmosfera estável, abrigar oceanos relativamente rasos e apresentar ambientes que favorecessem a diversidade de organismos.
Um campo magnético também poderia contribuir para proteger a atmosfera da ação de partículas carregadas provenientes do espaço.
Essas características, no entanto, fazem parte de uma hipótese sobre as condições que favoreceriam a vida. Não há confirmação de um planeta que reúna todas elas ou que seja mais habitável que a Terra.
A busca também considera as características das estrelas que esses planetas orbitam. As anãs laranjas do tipo K, estrelas que consomem seu combustível mais lentamente que o Sol, podem permanecer estáveis por dezenas de bilhões de anos.
Esse intervalo poderia oferecer mais tempo para o surgimento e a evolução da vida. O Sol tem cerca de cinco bilhões de anos até o fim de sua atual fase de evolução. Antes disso, porém, o aumento gradual de sua luminosidade pode tornar a Terra inadequada para muitas formas de vida complexas.
A astrobióloga Iva Vilović investiga se a luz de estrelas do tipo K pode sustentar a fotossíntese, processo pelo qual plantas e outros organismos utilizam luz para produzir seu alimento.
Em um experimento de laboratório, mudas de agrião expostas a uma iluminação que simulava uma estrela desse tipo cresceram mais rápido e atingiram maior altura do que aquelas cultivadas sob uma luz que reproduzia a solar.
O resultado indica que essa iluminação pode ser compatível com o crescimento das plantas estudadas. Não demonstra, porém, a existência de vegetação em outros planetas. A avaliação da habitabilidade também depende de fatores como a composição da atmosfera e a disponibilidade de água.
Para avaliar a superabitabilidade, os cientistas precisam encontrar planetas que possam reunir essas condições e estudar suas características.
A missão PLATO, da Agência Espacial Europeia, tem lançamento previsto para 2027 e deverá buscar planetas rochosos ao redor de estrelas próximas. As observações poderão contribuir para identificar candidatos a estudos sobre habitabilidade.
O Telescópio Espacial James Webb, o Telescópio Extremamente Grande (ELT), em construção no Chile, e o futuro Observatório de Mundos Habitáveis da Nasa, planejado para a década de 2040, também poderão contribuir para investigar esses ambientes.
O estudo das atmosferas pode ajudar a identificar moléculas associadas a processos biológicos e a compreender as condições de planetas distantes. A presença dessas moléculas, contudo, exige análise de seu contexto e de possíveis explicações sem origem biológica.
Até o momento, nenhum planeta foi confirmado como mais habitável que a Terra. A hipótese da superabitabilidade ainda depende de observações que permitam testar as condições propostas pelos pesquisadores.