Ciência

Araras-canindés são soltas no Rio de Janeiro após mais de 200 anos

Além de 'Fernanda', 'Sueli' e 'Fátima', as primeiras aves soltas, outras seis araras devem passar pelo mesmo processo nos próximos meses

Ação faz parte do projeto Refauna, com o apoio do ICMBio e de outras instituições

Ação faz parte do projeto Refauna, com o apoio do ICMBio e de outras instituições

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 16h18.

Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 17h58.

Um projeto realizado pelo Refauna libertou três araras-canindés na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, esta semana. A reintrodução das aves faz parte da iniciativa para repovoar a área com os pássaros.

É a primeira vez em mais de 200 anos que as araras-canindés retornam para a região. A iniciativa conta com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de outras instituições.

Para a analista ambiental do ICMBio e chefe do Parque Nacional da Tijuca, Viviane Lasmar, a reintegração das aves é reflexo da ação das ações de preservação animal.

Elas (araras-canindé) também são um exemplo para o mundo do que é possível realizar dentro de Unidades de Conservação. Daqui pra frente, em conjunto, seremos todos responsáveis pela sobrevivência desses animais em vida livre.

Reinserção das araras na fauna carioca

O projeto tem quatro araras-canindés sob sua tutoria. Elas chegaram do Parque Três Pescadores, que fica em Aparecida, no interior de São Paulo, em junho de 2025 e estão no Parque Nacional da Tijuca desde então.

A diretora da Refauna, Joana Macedo, explica que as aves passaram por uma preparação antes de retornarem para a natureza. 

Elas têm que estar bem para voar, tem o treinamento alimentar, a gente vai fazendo a transição, oferecendo os frutos que ela vai encontrar na floresta.

Durante os meses que estiveram no parque, as araras foram treinadas para desenvolver musculatura, melhorar as habilidades de voo, aprender a evitar a presença humana e reconhecer frutos nativos da floresta.

A bióloga do Refauna e Coordenadora de Reintrodução das Araras, Lara Renzeti, explica que o planejamento da ação começou em 2018 e que uma das principais preocupações era a questão sanitária, que é "desafiadora" para a espécie.

"O período de aclimatação exigiu uma dedicação enorme da equipe. Desejamos que as araras se adaptem bem à vida livre", explicou.

Reintegração das araras-canindé no Rio de Janeiro

Com a porta do viveiro aberta, cada uma das três aves pode retornar para a natureza no momento em que se sentiram prontas (Foto: Flavia Zagury/Refauna)

No dia em que foram soltas, os pesquisadores prepararam o viveiro na mata e deixaram a porta aberta para que cada ave voasse quando se sentisse pronta.

  • A primeira a voar foi 'Fernanda', que saiu rapidamente do viveiro;
  • Em seguida, duas horas depois, 'Sueli' também alçou voo;
  • Três dias depois, 'Fátima', a última arara, partiu para a floresta.

A quarta arara-canindé

O Rio de Janeiro recebeu quatro aves vindas de São Paulo, mas apenas três foram reinseridas na mata.

A quarta arara, batizada de 'Selton', segue sob tutela dos pesquisadores e vai aguardar o fim do ciclo de troca de penas para garantir que possa voar em segurança.

Objetivo do projeto Refauna

Ao longo do primeiro semestre de 2026, outras seis araras vão passar pelo mesmo processo e devem ser soltas na natureza pelo projeto. O objetivo é que em cinco anos 50 aves habitem o Rio de Janeiro.

Com o aumento do número de animais em vida livre, as chances de reprodução e consolidação da espécia na mata atlântica da região também cresce.

A analista ambiental do ICMBio, Mariana Egler, explica os benefícios da região para ações de reintegração.

A cidade do Rio de Janeiro tem os dois maiores parques urbanos do mundo: o Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Nacional da Tijuca. Eles quase fazem limite, criando um corredor ecológico.

Mariana detalha que o sucesso do projeto também depende do cuidado dos moradores da região.

Monitoramento das aves

As araras-canindés foram equipadas com anilhas, microchips e colares de identificação e serão monitoradas pela equipe da Refauna.

Além desses dados, os cidadãos também podem colaborar para o recolhimento de informações através da iniciativa "Ciência Cidadã".

Esse sistema permite que qualquer pessoa que queira fornecer alguma informação sobre as aves entre em contato direto com a associação atráves do perfil oficial no Instagram ou do WhatsApp (21) 96974-4752.

A contribuição popular também pode ser feita no aplicativo gratuito SISS-Geo que permite envio de fotos das araras e de outras aves da fauna silvestre.

Visita inesperada

Após a soltura, uma das aves, a 'Fernanda', retornou para a área próxima ao instituto e chamou atenção dos pesquisadores.

"Muito emocionante encontrar esse animal completamente solto, ao ar livre, voando dentro dessa floresta", afirma a diretora científica do Refauna, Luísa Genes.

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