Ciência

Alimentos do dia a dia têm risco escondido, diz estudo

Cientistas alertam que alguns hábitos alimentares silenciosos podem aumentar o risco de infarto e outros problemas cardíacos

Ultraprocessados: cientistas fazem alerta sobre alimentos consumidos todos os dias (Imagem gerada por IA)

Ultraprocessados: cientistas fazem alerta sobre alimentos consumidos todos os dias (Imagem gerada por IA)

Publicado em 12 de maio de 2026 às 12h52.

“Pequenas mudanças na alimentação podem gerar grandes impactos na saúde do coração.” O alerta, destacado por pesquisadores da Sociedade Europeia de Cardiologia, reforça o que médicos e especialistas vêm observando há anos: certos alimentos consumidos diariamente estão diretamente associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Alimentos estão ligados à alta de doenças cardíacas

A pesquisa, publicada na revista científica European Heart Journal, analisou os efeitos do consumo frequente de alimentos ultraprocessados, especialmente produtos ricos em sódio, açúcar, gorduras saturadas e aditivos químicos.  De acordo com os pesquisadores, o consumo elevado desses alimentos está associado a um aumento de até 19% no risco de doenças cardíacas. O estudo também identificou crescimento de 13% nos casos de fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca, além de um risco 65% maior de morte por problemas cardiovasculares.

O consumo excessivo desses produtos também foi relacionado a problemas como obesidade, diabetes tipo 2, pressão alta e aumento de gorduras prejudiciais no sangue, condições que contribuem diretamente para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A pesquisa também mostra que os alimentos ultraprocessados vêm ocupando cada vez mais espaço no lugar das dietas tradicionais em vários países da Europa, sendo 61% das calorias consumidas na Holanda e 54% no Reino Unido. Mesmo em países historicamente ligados à dieta mediterrânea, como Itália, Portugal e Espanha, os números chamam atenção: os ultraprocessados representam 25%, 22% e 18% da ingestão calórica da população, respectivamente.

O cenário é semelhante no Brasil. Uma pesquisa publicada na revista Lancet em 2025, feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), mostra que a presença de ultraprocessados na alimentação dos brasileiros mais que dobrou desde a década de 1980, passando de 10% para 23%.

O que são os ultraprocessados?

Os alimentos ultraprocessados são produtos fabricados industrialmente a partir da combinação de ingredientes refinados, como farinhas, óleos, gorduras e açúcar, com substâncias químicas adicionadas para modificar sabor, textura, aparência e aumentar o tempo de conservação. Em muitos casos, eles passam por diversas etapas de processamento até chegarem às prateleiras.

Entre os alimentos mais associados aos riscos estão refrigerantes, embutidos, salgadinhos industrializados, refeições prontas congeladas e doces ultraprocessados. Apesar da praticidade, os pesquisadores afirmam que o consumo constante desses produtos pode afetar silenciosamente o funcionamento do coração ao longo dos anos.

Os cientistas afirmam que o problema não está apenas em excessos ocasionais, mas na transformação dos ultraprocessados em parte fixa da rotina alimentar. Em muitos casos, os danos acontecem de forma silenciosa, acumulando efeitos durante anos até aparecerem em exames ou emergências médicas.

Conscientização é o caminho

Para os pesquisadores do estudo, a adoção de políticas públicas que incentivem uma rotulagem mais transparente dos alimentos, além de campanhas educativas e acompanhamento médico voltados à conscientização sobre os riscos do consumo excessivo de ultraprocessados e outras maneiras de ter uma alimentação mais saudável.

Os especialistas também apontam que as recomendações alimentares atuais costumam avaliar apenas componentes como calorias, açúcar e gordura, deixando de lado o nível de processamento dos alimentos. Isso pode fazer com que muitos consumidores enxerguem produtos industrializados como opções saudáveis apenas por apresentarem menos açúcar ou maior quantidade de proteína no rótulo.

“Esperamos que este consenso ajude médicos a reconhecer ultraprocessados como um possível fator de risco e forneça orientações claras para reduzir o consumo”, afirmou a professora Luigina Guasti, da Universidade de Insubria, na Itália.

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