Ciência

T. rex tinha sangue quente ou frio? Estudo revela temperatura corporal do dinossauro

Análise química de dentes fossilizados estimou pela primeira vez a temperatura corporal do predador que viveu há 66 milhões de anos

T. rex: análise de dentes preservados por milhões de anos revelou informações sobre o metabolismo do animal (Freepik)

T. rex: análise de dentes preservados por milhões de anos revelou informações sobre o metabolismo do animal (Freepik)

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 11h20.

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O Tyrannosaurus rex tinha uma temperatura corporal próxima à dos seres humanos e de grandes mamíferos atuais, segundo um estudo publicado na revista Science Advances. A descoberta reforça evidências de que o maior predador era um animal de sangue quente, contrariando a antiga visão dos dinossauros como animais com metabolismo semelhante ao dos répteis atuais.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que utilizaram uma técnica geoquímica para estimar a temperatura corporal do T. rex a partir de dentes fossilizados. Entre as amostras estavam dois dentes de “Thomas”, famoso exemplar preservado no Museu de História Natural do Condado de Los Angeles.

Como cientistas descobriram a temperatura do T. rex

Para chegar à estimativa, os pesquisadores retiraram pequenas amostras do esmalte e analisaram ligações químicas entre isótopos de carbono e oxigênio preservadas durante a formação dos dentes.

Essas ligações funcionam como uma espécie de termômetro natural. A quantidade encontrada permite estimar a temperatura existente no momento em que o mineral se formou.

A análise revelou que o T. rex tinha temperatura corporal de aproximadamente 97 °F, ou 36 °C, com uma margem de alguns graus.

Como referência, a equipe examinou dentes de crocodilianos antigos encontrados na mesma região da Formação Hell Creek, em Montana. Nesses animais, a temperatura média estimada foi de 88 °F, cerca de 31 °C.

T. rex tinha sangue quente

A temperatura calculada coloca o T. rex em uma faixa próxima à observada em seres humanos e elefantes-indianos, ambos em torno de 36 °C. O valor fica abaixo do registrado em aves como avestruzes, que variam aproximadamente entre 38 °C e 39 °C, e galinhas, que podem superar 40 °C.

Até o início dos anos 2000, os dinossauros eram frequentemente retratados como animais semelhantes aos répteis e, consequentemente, de sangue frio. Essa interpretação começou a mudar com evidências obtidas em estudos geoquímicos e análises de fósseis.

Trabalhos anteriores já haviam indicado que o T. rex apresentava metabolismo rápido. A nova pesquisa acrescenta a esse conjunto de evidências uma estimativa mais precisa de sua temperatura corporal.

T. rex poderia viver do Alasca ao México

Manter o corpo aquecido está associado a um estilo de vida mais ativo e também pode ampliar a variedade de ambientes que um animal consegue ocupar.

Considerando a tolerância térmica do T. rex, os pesquisadores calcularam que o predador teria condições fisiológicas para viver em grande parte da América do Norte, abrangendo regiões que atualmente vão do Alasca ao México.

O cálculo considera especificamente a temperatura. Portanto, não significa que a espécie necessariamente tenha ocupado toda essa extensão, mas que esses ambientes seriam compatíveis com sua fisiologia.

Como o tamanho do T. rex pode ter ajudado a conservar calor

A temperatura obtida nos fósseis deixa outra questão em aberto: o mecanismo usado pelo T. rex para manter o corpo aquecido. Uma possibilidade é que o dinossauro regulasse internamente uma temperatura relativamente constante, de maneira semelhante ao que ocorre em mamíferos e aves.

Outra hipótese envolve seu enorme tamanho. Um corpo tão grande poderia perder calor lentamente, funcionando como uma espécie de isolamento natural e mantendo a temperatura elevada por mais tempo.

Nesse cenário, parte do calor poderia ser conservada pela própria massa corporal, sem depender exclusivamente dos mecanismos metabólicos usados pelos animais de sangue quente atuais.

Os pesquisadores agora pretendem aplicar outras técnicas químicas aos fósseis para investigar aspectos da alimentação e da fisiologia do T. rex.

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