Ciência

Remédio para emagrecer retarda o envelhecimento? Estudo investiga efeito

Pesquisa com camundongos fêmeas idosas encontrou aumento de 12% na longevidade após o uso da substância

Semaglutida: estudo encontrou efeitos sobre marcadores associados ao envelhecimento em camundongos (Freepik)

Semaglutida: estudo encontrou efeitos sobre marcadores associados ao envelhecimento em camundongos (Freepik)

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 12h58.

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A semaglutida, conhecida pelo uso no tratamento da obesidade e do diabetes, pode ter efeitos que vão além da perda de peso. Um estudo publicado na última quinta-feira, 2, na revista Nature encontrou sinais de que a substância pode retardar alguns processos associados ao envelhecimento.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley trataram camundongos fêmeas idosas com semaglutida e observaram uma sobrevida mediana 12% maior entre os animais que receberam o medicamento. O grupo tratado também apresentou melhores resultados em diferentes indicadores relacionados ao envelhecimento.

Os pesquisadores avaliaram aspectos como memória, força muscular, coordenação motora e funcionamento celular.

Como foi feito o estudo?

Para avaliar a sobrevida, os cientistas utilizaram 79 camundongos fêmeas com cerca de 20 meses de idade. Parte delas recebeu injeções diárias de semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como o Ozempic, enquanto o grupo de comparação recebeu apenas uma solução sem o medicamento.

As animais tratadas tiveram uma sobrevida mediana de 834 dias, contra 742 dias entre aquelas que não receberam a substância.

Além do acompanhamento da longevidade, outros grupos de camundongos passaram por testes para investigar possíveis alterações provocadas pelo tratamento.

Semaglutida reduziu sinais associados ao envelhecimento

Os animais que receberam o medicamento apresentaram menos inflamação nos tecidos e menor quantidade de células senescentes. Essas células deixam de se dividir e podem liberar substâncias que afetam os tecidos ao redor.

Também foram observados menos sinais de danos ao DNA, além de alterações relacionadas ao funcionamento das mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia nas células.

Os pesquisadores ainda identificaram mudanças em processos ligados à longevidade. Entre elas estava o aumento de moléculas chamadas sirtuínas, que participam da regulação de mecanismos celulares relacionados ao envelhecimento.

Estudo encontrou mudanças no cérebro

Os efeitos também foram observados em estruturas relacionadas ao sistema nervoso. Os camundongos tratados apresentaram aumento na formação de novos neurônios no hipocampo, região do cérebro associada à memória.

Nos testes comportamentais, os animais também apresentaram resultados melhores em medidas de memória, força e coordenação motora.

Esses achados podem ajudar os pesquisadores a investigar como a semaglutida interfere em diferentes mecanismos relacionados ao envelhecimento. No entanto, eles não comprovam que o medicamento seja capaz de prevenir ou retardar o envelhecimento em pessoas.

A pesquisa foi realizada em animais idosos, e os mecanismos observados precisam ser investigados em estudos mais avançados.

Embora a semaglutida já seja utilizada em seres humanos para indicações específicas, isso não significa que seus efeitos sobre a longevidade estejam comprovados. Os próprios pesquisadores destacam a necessidade de ensaios clínicos em humanos para determinar se os resultados podem ser reproduzidos e quais seriam os possíveis benefícios e riscos.

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