Sertões anuncia “corrida maluca” e o primeiro rally de kitesurf do mundo

Prova aquática será realizada em outubro ao longo da costa do Rio Grande do Norte e do Ceará; outra novidade é o circuito dos Sertões 2021, todo no Nordeste
 (Divulgação/Divulgação)
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Por Daniel SallesPublicado em 03/02/2021 12:06 | Última atualização em 03/02/2021 12:11Tempo de Leitura: 4 min de leitura

No lugar da poeira, a água do mar. Grosso modo, tá explicada a diferença entre o tradicional Rally dos Sertões e uma das grandes novidades que ele anunciou para a temporada de 2021: o primeiro rally de kitesurf do mundo. Batizado de Rally dos Mares, está marcado para o intervalo entre os dias 8 e 14 de outubro – os competidores terão de percorrer um trecho de 500 quilômetros que costeia o Ceará e o Rio Grande do Norte. Saem de cena os veículos usados no rally que todo mundo conhece – motos, UTVs e 4×4s – e entram as rebeldes pranchas de kite, que conferem doses similares de adrenalina. O esporte, convém lembrar, virou sinônimo de destinos paradisíacos como Jericoacoara, no Ceará, e foi incluído no programa esportivo dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

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Outra novidade anunciada pelos organizadores dos Sertões para o calendário de 2021 – todas foram divulgadas nesta terça (2/2) – tem a ver com o circuito do rally tradicional. Sua 29ª edição, entre 13 e 22 de agosto, será toda no Nordeste – era de praxe uma largada no Sul do país. Neste ano, vai começar no Rio Grande do Norte e só vai até os estados vizinhos. As cidades escolhidas como base e os detalhes do trajeto, que sempre soma uns 5 mil quilômetros, ainda não foram divulgados. A prova é chancelada pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM).

Rally dos Sertões 2020 apostou em confinamento em “bolhas” para driblar pandemia (Divulgação/Divulgação)

Para levantar poeira em 2020 sem dar carona ao coronavírus, os organizadores proibiram tanto competidores quanto auxiliares e organizadores de recorrer aos hotéis e restaurantes das cidades-sede. Todos foram obrigados a acampar ou estacionar seus motor homes nas seis “bolhas” que dividiram o trajeto. Nada mais eram do que áreas de apoio isoladas nas quais só puderam entrar quem fazia parte da prova e testou negativo para a covid-19 — o endereço de cada uma delas foi mantido em sigilo para não atrair curiosos. Para a edição de 2021 os organizadores cogitam um formato parecido.

Duas etapas vão anteceder os Sertões de 2021 – que no ano passado precisou ocorrer em outubro, por motivos óbvios – e uma terceira está marcada para depois dele. A sede da primeira, o Rally de São Paulo, entre 13 e 15 de maio, é Ilha Comprida, no litoral sul paulista. A segunda, entre 16 e 19 de junho, ocorre no Jalapão. E a que fecha o calendário, chamada de Series Caminhos da Neve, entre 3 e 6 de novembro, liga Florianópolis (SC) a Gramado (RS).

Rally dos Mares será o primeiro rally aquático do mundo (Divulgação/Divulgação)

Mais uma novidade e tanto é a prova Baja Jalapão 500 Milhas, marcada para o período entre 23 a 27 de junho. É apresentada como uma espécie de “corrida maluca” inspirada nas provas norte-americanas organizadas por uma associação de entusiastas de provas off road em desertos. Os interessados deverão acelerar por 800 quilômetros (ou 500 milhas) nas areias do Jalapão a bordo de motos, carros e UTVs (cada categoria larga em um dia diferente).

Um dos objetivos da marca Sertões, vale lembrar, é promover destinos paradisíacos do país para os quais quase ninguém dá bola. “Muito brasileiro conhece o Grand Canyon americano, mas não sabe que o Piauí tem formações ainda mais impressionantes”, declarou Joaquim Monteiro, CEO do Rally dos Sertões, no ano passado. “Com as restrições às viagens internacionais, o país tende a aproveitar melhor seus atrativos.”

Calendário dos Sertões de 2021 (Divulgação/Divulgação)

Um dos segredos do rally é a participação recorrente de famosos como Luciano Huck e Whindersson Nunes, que correram na edição de 2019, e Rubens Barrichello, Alok, Nelsinho Piquet e o chef Olivier Anquier, inscritos na prova do ano passado.

Com largada em Mogi Guaçu, em São Paulo, a prova de 2020 levantou poeira com projetos sociais a reboque. Em primeiro lugar, distribuiu pelo caminho 12.000 cestas básicas para famílias desassistidas — os alimentos foram comprados de pequenos produtores enraizados ao longo do trajeto para estimular a economia local. E instalou nos rincões do país seis cabines de telemedicina que envolvem 14 especialidades. Ficarão à disposição da população por um ano.