Promotora usa internet para incentivar bem-estar feminino

Maria Gabriela Prado Manssur tem três filhos, luta pelos direitos das mulheres e ainda corre quatro vezes por semana

	Força feminina: promotora encontra tempo para motivar mais de 24.000 seguidores de seu Instagram com dicas de corrida e de moda
 (Peter Macdiarmid/Getty Images)
Força feminina: promotora encontra tempo para motivar mais de 24.000 seguidores de seu Instagram com dicas de corrida e de moda (Peter Macdiarmid/Getty Images)
G
Gabriela IngridPublicado em 10/06/2013 às 12:49.

São Paulo - A paulistana Maria Gabriela Prado Manssur, a Gabi, é a típica mulher moderna, que se vira para conciliar o trabalho, os cuidados com a família e consigo mesma. Aos 39 anos, a promotora de justiça tem três filhos, luta pelos direitos das mulheres e ainda corre quatro vezes por semana.

Além disso, encontra tempo para motivar mais de 24.000 seguidores de seu Instagram (rede social de imagens) com dicas de corrida e de moda. "Correr é minha válvula de escape para o dia a dia estressante. Além de ser mais barato que terapia, diminui o culote."

O gosto pelo esporte vem de família. Influenciada pelo irmão mais velho, o triatleta Antonio Manssur Filho, Gabi corre há mais de 15 anos e ama se desafiar a cada prova que faz. "Busco adrenalina, quero diminuir meus tempos, sou muito competitiva. O mais legal da corrida é que você compete consigo mesma, cria seus próprios desafios e não precisa ganhar ou perder de ninguém para se sentir realizada. Você é seu maior adversário", diz.

Veredito: corredora

Desde pequena Gabi via o irmão acordar cedo para treinar, mas foi apenas em 1997, aos 23 anos, que ela pegou gosto pela corrida. Em 1998, enquanto ainda estava na faculdade de direito, engravidou pela primeira vez e interrompeu os treinos assim que soube da notícia. Ela conta que ficou parada até sua pequena fazer 1 ano, quando voltou de vez para as pistas.

Na gestação de seus dois outros filhos — em 2008 e 2011 —, Gabi afirma que só parou de correr aos seis meses de gravidez e voltou quando as crianças tinham apenas 3 meses. Nesse meio-tempo, mesmo de barrigão, ela fazia caminhadas para não perder o pique e o condicionamento. "Quando meu filho caçula tinha 7 meses, corri a Meia Maratona de Paris em 1h53. Fiquei muito feliz com o resultado", conta.


Hoje a promotora dá um jeito de encarar os treinos pelo menos três ou quatro vezes por semana. "Meus melhores tempos são 1h50 na Meia Maratona de Buenos Aires e 51min nos 10 km da Track & Field, ambas em 2010". Para manter o pique, ela complementa a corrida com ioga e treinamentos funcionais.

Além disso, Gabi atua como promotora e coordena o Núcleo de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher no Ministério Público de São Paulo. E foi por causa da profissão que Gabi influenciou milhares de brasileiras.

O novo básico

Cansada de ver terninhos cinza pelos corredores do Ministério, a promotora criou em 2012 um blog para promover o projeto "Abandone o Terninho Cinza", para orientar mulheres que gostariam de investir em roupas mais modernas no ambiente de trabalho. O blog acabou chamando a atenção de mais de 7 000 seguidoras que se interessaram pelas dicas de Gabi. Aproveitando a deixa, ela começou a postar um pouco mais do seu dia a dia, inclusive sobre sua paixão pela corrida. O primeiro post sobre o assunto teve 2 000 visualizações e ela recebeu diversas mensagens de mulheres que queriam saber mais do esporte.

Por trabalhar com violência doméstica e lidar com alguns casos perigosos, a promotora decidiu tirar temporariamente seu blog do ar por motivos de segurança. Mas Gabi não desistiu e levou a ideia para o Instagram, no perfil @gabimanssur, que conta com 24 000 seguidores. Ela também criou a campanha "Mulher de Verdade Não Aceita Violência", para encorajar as vítimas a denunciarem seus agressores.

E não foram só mulheres que acabaram arrebatadas por esse fenômeno da internet. O marido também entrou no jogo. "Em vez de reclamar que eu acordo cedo para correr, ele vai junto", conta ela. "A corrida é meu combustível. Quero provar que, mesmo aos 40 anos, ainda posso tudo. Os 40 são o novo ‘pretinho básico’."