Olimpíadas: como um culto aos deuses virou a maior tradição da humanidade

Os Jogos como conhecemos hoje começaram ainda no século XIX, mas as primeiras competições esportivas em homenagem aos deuses datam de 700 a.C.; descubra mais sobre a história das Olimpíadas

Os Jogos Olímpicos de Tóquio estão prestes a começar. Na sexta-feira (23), acontece a cerimônia de abertura da 32ª edição do evento, que acontece nesse formato que conhecemos desde 1896, quando a Chama Olímpica foi acesa pela primeira vez em Atenas, na Grécia.

Mas você já deve ter ouvido falar que esses são os Jogos Olímpicos da Era Moderna, certo? Isso porque a real origem do maior evento esportivo do mundo é a mitologia grega, de muitos séculos antes de Cristo. E a história que se desenrolou depois, ao longo de todo esse tempo, é igualmente emblemática, envolvendo religiões, guerras, empreendedorismo, disputas política e, claro, muito dinheiro.

Quem inventou os Jogos Olímpicos?

Os Jogos Olímpicos da Era Moderna, como conhecemos hoje, foi criado pelo Barão de Coubertin, um historiador francês, em 1894. Na época, algumas descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia, na Grécia, fizeram crescer o interesse internacional por essa tradição até então esquecida. De olho nisso, Coubertin organizou um congresso internacional em Paris para propôr a realização de um evento nos moldes do que acontecia antigamente. Era a fundação do Comitê Olímpico Internacional, que dois anos depois, organizou a primeira edição dos Jogos - e assim o faz até hoje.

No início, os Jogos Olímpicos não foram o sucesso que vieram a se tornar no futuro. Como era uma novidade, a primeira edição da era moderna foi um sucesso (tanto em relação ao número de atletas internacionais quanto ao público), mas as seguintes, em Paris (1900) e St. Louis (1904), não tiveram muito destaque, justamente por terem sido incluídas dentro da programação de Exposições Mundiais - eventos que reuniam as grandes mentes e novidades da época. Foi só a partir da edição extraordinária de 1906, em Athenas, que os Jogos voltaram a chamar atenção do grande público.

Antes da "Era Moderna", como eram os Jogos Olímpicos?

Entre essas descobertas arqueológicas encontradas em Olímpia, estavam inscrições sobre os vencedores de uma corrida a pé realizada a cada quatro anos a partir de 776 a.C., reproduzindo a prática dos deuses da mitologia, em culto a eles. Essa data é tida como o início oficial das competições olímpicas. Era uma época de muitas guerras entre os diferentes reinos da Grécia e estima-se que, nessa época, os reis selaram uma trégua de verão, que seria celebrada com os Jogos Olímpicos. É daqui a ideia de que as Olimpíadas são uma celebração da paz entre os povos.

Mas as inspirações para que os Jogos vieram mesmo da mitologia, cuja as narrativas dão conta de que os deuses competiam entre si em provas de corrida e, pela vitória, eram coroados com ramos de oliveira.

Quando e por que os Jogos Olímpicos da Antiguidade acabaram?

A morte rei grego Alexandre, o Grande, em 323 a.C., marcou o início de um período de transição entre a expansão da civilização grega e o domínio de todo esse território pelo Império Romano. À medida que Roma avançava, guerras e conflitos aconteciam e a tal "trégua sagrada" firmada pelo reis ia sendo esquecida.

Não existe um consenso, mas a data mais aceita como o fim dos Jogos da Antiguidade é 393 d.C., quando o imperador romano Teodósio I (o mesmo que definiu o Cristianismo como a religião oficial do império) determinou a extinção de todas as práticas e cultos pagãos - inclusive os Jogos, afinal, eles eram uma homenagem a deuses que nada tinham a ver com o cristianismo.

Olimpíada, Olimpíadas, Jogos Olímpicos... Qual o nome certo?

Indo direto ao ponto, Olímpiada é uma unidade de medida equivalente a quatro anos completos. E "Jogos Olímpicos" é o nome do evento que celebra a abertura de cada um desses períodos. Os Jogos de Tóquio, por exemplo, marcam o primeiro ano da 32ª Olimpíada, que se encerra em 31 de dezembro de 2023. Por fim, Olimpíadas, no plural, designa o conjunto de edições dos Jogos, incluindo também os de Inverno.

Quem manda nas Olimpíadas? E quem paga por ela?

A nível nacional, cada país tem o seu próprio Comitê Olímpico para organizar sua participação nos Jogos. Cada um dos esportes olímpicos também tem a sua Federação Internacional, que define as regras das práticas esportivas e garante que elas serão cumpridas. Todos esses organismos respondem ao Comitê Olímpico Internacional, uma entidade sediada na Suiça e responsável pela administração e organização dos Jogos - além de deter todos os direitos de marca relacionados a eles.

Esse ponto, justamente, é o mais controverso da história das Olimpíadas quando o assunto é dinheiro. Em 1956, os Jogos passaram a ser transmitidos pela TV para o mundo todo e, a partir de 1972, o evento passou a contar com o patrocínio de marcas. Essas duas frentes são, até hoje, as maiores receitas do COI que, por ser o detentor dos direitos relacionados às Olímpíadas, centraliza toda essa grana. Os custos da realização dos Jogos, entretanto, sempre fica para as cidades anfitriãs e seus respectivos governos nacionais. Ou seja: os países pagam tudo, e o COI fica com os lucros. Daí a controvérsia.

Além de 2020, houve algum outro momento em que os Jogos Olímpicos foram adiados?

Sim. Os Jogos de 1916 (em Berlim), 1940 (em Tóquio) e 1944 (em Londres) até começaram a ser organizados, mas foram cancelados por causa da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.

 

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