Casual

'Feito Pipa': a delicada redescoberta do sertão que busca uma vaga no Oscar 2027

Aposta do Brasil para o Oscar 2027, filme de Alan Deberton contorna os clichês das narrativas do sertão brasileiro para falar de infância, memória e relações familiares

Feito Pipa: a aposta do Brasil para o Oscar 2027 (Biônica Filmes/Deberton Filmes/Paris Filmes/Divulgação)

Feito Pipa: a aposta do Brasil para o Oscar 2027 (Biônica Filmes/Deberton Filmes/Paris Filmes/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 5 de novembro de 2026 às 12h09.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreFilmes brasileiros
Saiba mais

O sertão do Nordeste não é um pano de fundo estranho ao cinema brasileiro. Narrativas sobre a seca, a pobreza e as dificuldades do agreste fazem parte da história do país. Estão nos clássicos, de livros adaptados a novas séries contemporâneas. Em Feito Pipa, a nova aposta do Brasil para disputar o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2027, a região é tratada com muita doçura — e muitas nuances.

Gravado em Quixadá, no interior do Ceará, o novo longa de Allan Debertton (Pacarrete) foi lançado no Festival de Berlim, onde venceu dois prêmios. De lá para cá, tem conquistado estatuetas em outros festivais nacionais e internacionais. O filme conta a história de Gugu (Yuri Gomes), uma criança de 11 anos que começa a perceber que não cabe nos rótulos impostos ao próprio gênero. É apaixonado por futebol e tem também um amor profundo pela dança. Quer aprender a andar de moto e adora maquiagem, glitter e roupas cintilantes. É um menino complexo, descobrindo a própria identidade enquanto enfrenta as repressões de um pai conservador (Lázaro Ramos) e os olhares da cidade.

yt thumbnail

No centro da vida do garoto está a avó Dilma (Teca Pereira), com quem ele mora, um porto seguro de liberdade e afeto, que cuida dele e o acolhe sem julgamentos. Quando o Alzheimer começa a apagar as memórias da idosa — ao mesmo tempo que a seca faz emergir as ruínas de uma cidade submersa —, Gugu começa a entender que crescer abre espaço para novas perspectivas.

“Não é um filme de efeitos especiais ou grandes viradas; é um filme de conexão”, explicou Lázaro Ramos à ­Casual EXAME. “Olhar para esses personagens tão brasileiros sem colocá-los no lugar de estereótipo, respeitando a maneira como demonstram afeto, é um dos elementos que mais me comovem. Existe ali uma sensibilidade muito rara no cinema, que acredito que foi o que chamou a atenção do público internacional.”

Infância, afeto e a delicadeza das raízes no Ceará

A alma do filme está nas relações. Entre Gugu e a avó, claro, mas também e principalmente entre ele e o pai. Para Allan Debertton, a sutileza na interpretação dos personagens foi essencial para conectar essas relações com as metáforas que o filme apresenta na paisagem, nos figurinos e na trilha sonora, com destaque para Time after Time, de Cyndi Lauper.

“Eu gosto muito do cinema que se expõe por conta própria nos silêncios, na fotografia. E eu acho que Feito Pipa faz isso muito bem, parece muito mais simples do que realmente é”, contou o diretor. “O roteiro já trazia a fortaleza dessa história com personagens complexos. Quis trazer à direção esse toque de carinho, do crescer e da descoberta.”

Feito Pipa chega aos cinemas no dia 5 de novembro. Foi selecionado pela Academia de Cinema Brasileiro para uma vaga no Oscar do ano que vem. A organização do prêmio anuncia a short-list da categoria de Melhor Filme Internacional em dezembro.

Luiza Vilela, de Gramado (RS), a repórter viajou a convite da Persol

Acompanhe tudo sobre:Filmes brasileirosFilmesCinema

Mais de Casual

Tuju e Lasai: os brasileiros entre os 50 melhores do mundo

Qual é o melhor restaurante do mundo? Conheça o Asador Etxebarri

Spa antes do voo? Terminal BTG Pactual estreia tratamentos faciais da Sisley

Restaurante brasileiro Tuju entra no top 20 dos melhores do mundo; veja ranking