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É para beber ou para postar?

Como o Instagram chacoalhou a coquetelaria a ponto de influir na estratégia de vendas de gigantes como a Diageo

Se você procura um bar para passar despercebido não vá ao Olívio. Aberto há dois anos na Vila Madalena, em São Paulo, é o estabelecimento que melhor soube explorar o fascínio pelos drinques chamativos na cidade.

O De Boa na Banheira (R$ 37), que junta rum, licor de pêssego, licor de laranja, Club Soda, espuma de limão, lima-da-pérsia e leite de coco, é servido numa pequena banheira com dois patinhos mergulhados na espuma. Preparado com gim, rum aromatizado com coco, limão, abacaxi e licor de laranja, o Liberté (R$ 32) chega dentro de uma gaiola.

Resultado: não há drinque que não desperte na clientela a incontrolável vontade de sacar o smartphone para uma foto que seja, invariavelmente postada no Instagram. Outra regra é ficar de olho nas outras mesas, à espera de um coquetel com uma apresentação tão ou mais espalhafatosa que a do seu.

Execrado por alguns especialistas em drinques ou pela turma que não admite duas cerejas no Manhattan, o Olívio é um retumbante sucesso desde a abertura. Desconhece salão vazio e vende cerca de 8 mil coquetéis por mês.

“As duas primeiras semanas foram fracas, mas depois começou a encher em razão da divulgação espontânea feita pelos próprios clientes no Instagram”, diz um dos sócios, o paulistano João Paulo Warzée.

A ideia dos coquetéis exibicionistas partiu dele. “Estamos diante da geração do clique, que preza a experiência acima de tudo. Propus: vamos criar algo diferente pensando nessa clientela”, conta ele, fundador também de um dos bares mais concorridos no Tatuapé, o Jordão, do qual não é mais sócio.

O drinque da banheira ele copiou do bar Ori-Gin, em Hong Kong, que conheceu durante uma viagem. O maior hit do endereço paulistano, chamado Wilson Visita Olívio, é uma invenção sua. União de gim, gengibre, uva verde, água de coco, capim santo e hortelã (R$ 32), o drinque é servido num copo sobre uma bola de vôlei adaptada com o mesmo desenho da do filme “Náufrago”, com o Tom Hanks.

“Criamos uma nova tendência na coquetelaria brasileira”, acredita Warzée. “Trouxemos um público novo para a coquetelaria, em especial o feminino, responsável pelo consumo de quase 80% dos nossos drinques”.

Ele diz ter identificado dezoito bares em outras cidades do país com coquetéis idênticos aos do Olívio. “Copiar o da banheira tudo bem, eu também copiei. Mas o da bola Wilson sem dar crédito acho demais”, reclama.

O sucesso da casa foi replicado no Caulí, dos mesmos sócios, inaugurado no ano passado no Jardim Paulistano. Difere do Olívio por atrair uma clientela um pouco mais velha e pela atmosfera de balada no andar superior.

A fórmula dos drinques é a mesma. Um dos mais requisitados, o Room Service (R$ 35) leva conhaque, Cointreau, limão siciliano e xarope de açúcar. Chega dentro de uma cúpula de vidro repleta de fumaça sobre um carrinho empurrado por um garçom vestido como um mensageiro de hotel.

Drink Room Service, do Caulí Drink Room Service, do Caulí

Drink Room Service, do Caulí (Henrique Peron/Divulgação)

É mais uma invenção de Warzée, que assina as cartas de drinques dos dois estabelecimentos. Ele é secundado pelos bartenders Sylas Rocha e Marcos Felix, esse último vencedor da etapa brasileira de 2016 do World Class, o conhecido torneio de coquetelaria da Diageo.

Dona de marcas como Tanqueray e Johnnie Walker, a companhia está atenta ao sucesso dos drinques chamativos, ou instagramáveis, como eles passaram a ser conhecidos.

“Aprendemos a importância deles com a ajuda do gim-tônica”, diz Guilherme Martins, diretor das marcas reserve da Diageo no Brasil. “No momento em que adotamos para ele aquela taça larga, o copa glass, ele se transformou, virou instagramável. Quando um garçom passa com um na bandeja, três, quatros clientes fazem o mesmo pedido”. A meta da companhia é repetir a fórmula com os drinques feitos com outros destilados.

Tamanho é o sucesso dos instagramáveis que já são raros os bares e restaurantes sem um coquetel no cardápio pensado exatamente para fazer bonito nas redes sociais.

No Bar Obelisco, no rooftop do MAC-USP, no Parque do Ibirapuera, o campeão de fotos é o Xequerê, servido dentro desse instrumento de percussão de origem africana - junta cachaça, licor de maracujá, pimenta, coco, suco de limão e espumante (R$ 45).

O restaurante de peixes e frutos do mar Côl, no Itaim, passou a funcionar em maio com um coquetel feito com carvão ativado, bourbon, Amaretto, limão e espuma de gengibre (R$ 34). É outro que chega à mesa dentro de uma cúpula de vidro esfumaçada.

Drink do restaurante Côl Drink do restaurante Côl

Drink do restaurante Côl (Côl/Divulgação)

Bebida Xequerê: invenção do Bar Obelisco Bebida Xequerê: invenção do Bar Obelisco

Bebida Xequerê: invenção do Bar Obelisco (Rubens Kato/Divulgação)

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