Royal Caribbean celebra a chegada do Serenade of the Seas a Cartagena, na Colômbia: apresentação, em outubro, marcou início da temporada 2025–2026 na América Latina
Redação Exame
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 07h00.
O mapa dos cruzeiros pelo Caribe começou a mudar nesta temporada. Desde o fim de 2025, a Royal Caribbean passou a operar o Serenade of the Seas a partir de Cartagena, na Colômbia, e Colón, no Panamá, deslocando parte de sua operação para fora do eixo tradicional dos Estados Unidos e oferecendo itinerários pelo Caribe Sul sem a passagem obrigatória por portos americanos.
A operação, que segue até abril de 2026, abriu uma rota mais direta para viajantes latino-americanos, incluindo brasileiros, que agora acessam destinos como Aruba, Bonaire e Curaçao — as ilhas ABC — sem conexão aérea em território americano.
O efeito prático é duplo: elimina a exigência do visto dos EUA e reduz o número de deslocamentos, ao concentrar a viagem em um único embarque.
Mas a mudança não é apenas logística. Ao partir de portos latino-americanos, o Serenade passa a refletir também um clima a bordo distinto daquele encontrado nos cruzeiros que saem de Fort Lauderdale, Orlando ou Miami.
A experiência é marcada por música latina, maior presença do espanhol no dia a dia, programação cultural regional e uma gastronomia ajustada ao paladar latino — um contraste com o perfil majoritariamente norte-americano dos navios que partem da Flórida.
A adaptação ao público latino também aparece na condução da experiência a bordo. A diretora de cruzeiro do Serenade of the Seas nesta temporada é Talita Leoni, brasileira responsável pela programação e pela dinâmica do navio.
Em sete noites, o passageiro percorre ilhas conhecidas por praias de águas claras, recifes de coral e boa infraestrutura turística, sem trocar de hotel ou enfrentar novas filas de aeroporto.
Serenade of the Seas: rota direta para brasileiros visitarem destinos como Aruba, Bonaire e Curaçao sem conexão aérea em território americano
Aruba, a mais popular entre os brasileiros, vive um momento de expansão. Dados do setor indicam que o número de visitantes do Brasil cresceu cerca de 80% entre janeiro e outubro de 2025 em relação ao ano anterior. Para este ano, são esperados 35 mil brasileiros no país conhecido pelos flamingos e pelas praias de areia branca.
Curaçao segue trajetória semelhante. A ilha recebeu mais de 42 mil turistas brasileiros em 2025, crescimento superior a 30% na comparação com 2023, o que coloca o Brasil entre seus mercados prioritários e reforça o avanço do destino no radar do turismo nacional.
Já Bonaire, menor e ainda pouco conhecida do público brasileiro, surge como o destino mais “fora do radar” entre as ilhas ABC — e justamente por isso chama atenção. Referência internacional em mergulho e conservação ambiental, a ilha recebeu 19.540 visitantes só em dezembro de 2025, segundo o Tourism Corporation Bonaire (TCB), dos quais apenas 128 eram brasileiros.
O contraste ajuda a explicar o papel de Bonaire no roteiro. Mais do que volume, a ilha representa uma diversificação de perfil, voltada a experiências de natureza e turismo de menor escala — um tipo de viagem que começa a ganhar espaço entre brasileiros, ainda concentrados nos destinos mais populares do Caribe.
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A escolha de Panamá e Colômbia como portos de partida reflete uma combinação de fatores logísticos e comerciais. Nos últimos anos, os dois países ampliaram a conectividade aérea com a América do Sul e investiram em infraestrutura portuária voltada ao turismo.
Na prática, a mudança encurta a jornada do passageiro e amplia o público potencial na região. O Serenade of the Seas, navio da classe Radiance, foi escalado para essa operação por seu porte intermediário, que permite operar em portos menores do Caribe Sul sem perder capacidade para atender famílias, casais e grupos multigeracionais.
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“Finalmente, os viajantes podem embarcar em aventuras pelo Caribe Sul a partir da Colômbia e do Panamá a bordo do Serenade, aproveitando sabores, música e atividades que celebram a riqueza da cultura latina”, afirmou Itzel Valdés, vice-presidente associada para a América Latina e o Caribe da Royal Caribbean.
A bordo do Serenade, a adaptação ao público latino aparece no cotidiano da viagem. A programação é conduzida em espanhol e português, a trilha sonora privilegia ritmos latinos e a gastronomia incorpora sabores familiares ao público da região, mantendo o padrão internacional da marca.
O navio reúne restaurantes como Chops Grille, especializado em cortes de carne, Giovanni’s Table, de cozinha italiana, e Izumi, com opções da culinária asiática. A estrutura de bares atende diferentes perfis de consumo, com bebidas alcoólicas e não alcoólicas.
Em algumas categorias de cabine, o Deluxe Drinking Package está incluído quando o hóspede escolhe o número da acomodação, o que ajuda a dar mais previsibilidade ao custo total da viagem.

A aposta da Royal Caribbean na América Latina não se encerra com o Serenade of the Seas. A partir de maio de 2026, o Grandeur of the Seas assume a operação nos mesmos portos, com cruzeiros previstos até abril de 2027 e retorno programado para novembro do mesmo ano.
A sequência de temporadas reforça a investida para fixar os embarques latino-americanos na operação da companhia — um movimento que veio para ficar. “Este é um momento muito especial, que reflete nosso compromisso contínuo de contribuir com o mercado local e aproximar as melhores experiências de férias da região, com propostas únicas e memoráveis”, afirma Valdés.