O Uzbequistão estreia na Copa do Mundo de 2026 e coloca no mapa um dos destinos gastronômicos mais ricos da Ásia Central (Otabek Xatipov/Unsplash)
Jonalista colaborador
Publicado em 18 de maio de 2026 às 06h57.
Em junho de 2025, o Uzbequistão garantiu sua vaga na Copa do Mundo de 2026 com um empate sem gols contra os Emirados Árabes Unidos, tornando-se o 81º país a estrear numa Copa do Mundo. A classificação foi histórica: o país tentava chegar ao Mundial desde 1998 e nunca havia conseguido.
Para quem ainda não conhece o país, a Copa é um bom pretexto para começar pela mesa. O Uzbequistão fica no coração da Ásia Central, atravessado pela antiga Rota da Seda que conectava a China ao Mediterrâneo. Séculos de caravanas, conquistas e trocas comerciais deixaram na culinária local camadas de influências persas, turcas, russas e chinesas, com resultados que surpreendem.
Plov: o prato nacional do Uzbequistão, feito com arroz cozido lentamente em gordura de cordeiro com cenoura, cebola, alho e cominho. Patrimônio imaterial da Unesco, tem mais de 50 variações regionais (Otabek Xatipov/Unsplash)
O prato mais importante é o plov. Reconhecido pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade, ele é feito com arroz cozido lentamente em gordura de cordeiro junto com cenoura, cebola, alho, cominho e uva-espim, um fruto silvestre ácido que equilibra os sabores. Existem mais de 50 variações do prato, cada região com a sua: em Samarcanda entra marmelo, em Bukhara usa-se frango no lugar do cordeiro, em Tashkent o plov é mais gorduroso e intenso. A tradição é que o plov seja feito pelos homens, em caldeirões de ferro chamados kazan, ao fogo aberto. Nos centros de plov de Tashkent, é possível ver esses caldeirões imensos em ação nos mercados de manhã cedo.
Samsa: pastéis assados em forno de barro com recheio de carne de cordeiro picada, cebola e gordura. Diferente das samosas indianas, a versão uzbeque é sempre assada, nunca frita
A samsa é o segundo item obrigatório. Pastéis assados em forno de barro, os tandyr, com recheio de carne de cordeiro picada, cebola e gordura extra, que derrete durante o cozimento e deixa a massa folhada e crocante. Diferente das samosas indianas, que são fritas, a samsa uzbeque é sempre assada. No café da manhã tradicional, uma bandeja de samsas com um bule de chá preto é o ponto de partida do dia.
Shashlik: espetinhos de carne marinada grelhados em fogo aberto, presentes em praticamente toda esquina do Uzbequistão (Reprodução/Pinterest)
O shashlik são espetinhos de carne marinada grelhados em fogo aberto, presentes em toda esquina do país. O lagman é um macarrão artesanal puxado à mão, servido em caldo rico de cordeiro com legumes e especiarias, com origens na culinária chinesa. Os manti são bolinhos grandes cozidos no vapor, recheados com carne e gordura de cordeiro, servidos com iogurte. O non, o pão tradicional assado em forno de barro, é considerado sagrado: uma refeição sem pão não é uma refeição.
Non: o pão tradicional uzbeque, assado em forno de barro chamado tandyr. Uma refeição sem non não é considerada uma refeição completa na cultura local (Joel Heard/Unsplash)
As cidades de Samarcanda, Bukhara, Khiva e Tashkent são os principais destinos gastronômicos do país. Samarcanda, com quase 2.750 anos de história, é considerada uma das cidades mais antigas do mundo ainda habitadas, e seu plov tem reputação nacional. Os mercados cobertos, chamados bazaars, são onde toda essa culinária se concentra com mais intensidade, entre pilhas de especiarias, damascos secos, nozes e pães recém-saídos do forno.