O Jelly Shoe da Skims teve alta de 2.170% nas buscas e esgotou pouco depois do lançamento, na cor Clay (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 16h02.
As sandálias de plástico transparente, com aquele aspecto meio gelatinoso que rendeu o apelido jelly, voltaram a ocupar o centro do guarda-roupa de verão. O mais recente relatório trimestral da Lyst, plataforma britânica que rastreia o comportamento de mais de 160 milhões de consumidores por ano, mostrou que os calçados desse tipo somaram quatro das dez posições mais desejadas entre abril e julho, com destaque para o Jelly Shoe da Skims, marca de Kim Kardashian, que ocupou o terceiro lugar da lista depois de um salto de 2.170% nas buscas.
A origem do material remonta ao fim dos anos 1970, quando a brasileira Melissa lançou seu primeiro modelo de PVC injetado, inspirado nas sandálias de pescadores da Riviera Francesa. O sucesso imediato levou a marca a se tornar sinônimo do próprio material fora do Brasil: em muitos países, jelly shoe virou a forma genérica de descrever qualquer sapato desse tipo, mesmo quando não é a Melissa quem o fabrica. Nos anos 1990 e 2000, o cheiro artificial de tutti-frutti, adicionado à massa plástica, ajudou a consolidar essa associação, e a tendência chegou a atravessar a alta costura: a Chanel, então sob direção de Karl Lagerfeld, lançou bolsas tote transparentes que dialogavam com a mesma linguagem.
A Jelly Mule da Chloé, com salto curvo e tira no tornozelo, ficou na quinta posição entre os produtos mais desejados do trimestre, segundo a Lyst (Divulgação)
O jelly nunca saiu totalmente de circulação, resistindo como item de praia, sandália infantil e peça de nicho em coleções de verão, sem o mesmo brilho midiático que teve no auge. Nos últimos dois anos, ganhou velocidade nova, primeiro nas passarelas e depois no consumo de massa, puxado por marcas de faixas de preço bem diferentes entre si.
A Chloé foi quem mais investiu nesse retorno. A coleção primavera-verão 2026, assinada pela diretora criativa Chemena Kamali, apresentou sandálias, mules e flats no material, dando sequência às peças de tira lançadas na temporada anterior, que já tinham dividido opiniões por causa do salto fino e do formato quase infantil. A Jelly Mule, com nó frontal e salto curvo em TPU transparente, ocupou a quinta posição entre os produtos mais desejados do trimestre no levantamento da Lyst, com alta de 657% nas buscas, e ajudou a marca a subir três posições no ranking geral de grifes.
A sandália da Skims, vendida por US$ 58 na cor Clay, esgotou pouco depois do lançamento e segue circulando em vídeos de unboxing e styling no TikTok, plataforma que funciona como principal vitrine para esse tipo de tendência. Foi o maior crescimento em buscas entre os dez produtos mais procurados da temporada.
A Loewe, a Tory Burch, a Diesel e a Jimmy Choo apresentaram versões próprias de sapatos e bolsas transparentes ao longo do ano, cada uma adaptando o material à sua própria linguagem, do minimalismo da Loewe ao apelo mais jovem da Diesel.
Enquanto o luxo reinterpreta o material, a Melissa segue reivindicando espaço como referência histórica da tendência que ajudou a criar. Em maio, a marca lançou uma coleção-cápsula com a dinamarquesa Ganni, com estampas de leopardo e frutas em dois modelos, um deles por R$ 199,90 e outro por R$ 319,90.
O plástico que um dia foi tratado como alternativa barata ao couro hoje divide vitrine com etiquetas de luxo, sandálias de US$ 58 e sapatos que passam dos mil dólares dependendo da grife. A Massimo Dutti também aparece na lista da Lyst com uma sandália de dedo mais em conta, parte de um crescimento de 43% que colocou a marca entre as que mais subiram no índice geral do trimestre.