Autora da série ‘Emily em Paris’, concorre ao Globo de Ouro e critica premiação

Deborah Copaken escreveu uma carta aberta ao The Guardian, sobre sua indignação da série I May Destroy You não ter sido indicada à premiação
 (Netflix/Divulgação)
(Netflix/Divulgação)
Por Julia StorchPublicado em 08/02/2021 12:21 | Última atualização em 08/02/2021 12:31Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Na semana passada foram divulgados os indicados ao Globo de Ouro 2021. Entre os concorrentes estão diversas produções da Netflix, que conquistou 22 indicações. Entre as indicações estão séries já esperadas, como The Crown e Ratched, e outras nem tão aclamadas, como Emily em Paris. Porém, a divulgação da lista causou indignação, já que a série da BBC I May Destroy You ficou de fora da premiação. O audiovisual não deixou a exclusão da série passar batido, tanto que Deborah Copaken, autora de Emily em Paris, escreveu uma carta aberta ao jornal The Guardian, sobre sua "raiva" ao prêmio. 

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Em sua carta ao The Guardian, Deborah Copaken apresentou os 'erros' da série que produziu, dizendo que, ainda que Emily em Paris trate de uma temática branca, excludente de comunidades africanas e muçulmanas, muito comuns em Paris, a série “foi ao ar alguns meses depois de eu passar junho e julho marchando por justiça racial pelas ruas de Nova York com meus filhos. Eu pude definitivamente ver como um programa sobre um americano branco vendendo luxo branco, em uma Paris pré-pandêmica livre de suas vibrantes comunidades africanas e muçulmanas, pode irritar.”

Copaken relatou ainda que após assistir a série de Coel, “uma obra de gênio absoluto sobre as consequências de um estupro”, disse a todos ao seu redor que a série é merecedora de todos os prêmios.

Ainda que esteja animada com a indicação de Emily em Paris, (na categoria “Melhor série – Musical ou Comédia”, e a protagonista Lily Collins como “Melhor atriz em série de TV – Musical ou Comédia”) Copaken completa que a indicação “agora é, infelizmente, temperada pela minha raiva pelo desprezo de Coel”. Para ela, a série de Coel não estar na premiação, que acontece no dia 28 de fevereiro, revela mais uma vez, como a indústria cinematográfica, assim como outras indústrias em geral no mundo, submetem os negros a um tratamento pior do que os brancos.

Michaela Coel roteirizou, dirigiu e foi protagonista da sére "I May Destroy You". (HBO GO/Reprodução)

“Mas minha fúria não é apenas por causa da raça”, concluiu Copaken. “Ou mesmo sobre a representação racial na arte. Sim, precisamos de uma arte que reflita todas as nossas cores, não apenas algumas. Mas também precisamos premiar os programas que merecem. Como alguém pode assistir I May Destroy You e não chamar isso de uma obra de arte brilhante ou Michaela Coel um gênio, estão além da minha capacidade de entender como essas decisões são tomadas.”

A série dramática I May Destroy You estreou na BBC em junho do ano passado. São 12 episódios em que a escritora Arabella Essiedu vive um bloqueio mental e procrastina para escrever seu segundo livro. Nesse meio tempo, ela atravessa dramas millennials e problemas sociais muito antigos, como racismo e abuso sexual. No site Rotten Tomatoes, a série conquistou a pontuação de 97% pela crítica.

A roteirista, diretora e atriz Michaela Coel não se manifestou sobre a não indicação ao Globo de Ouro.