A volta das convenções? Hilton anuncia hotel em SP focado em eventos

Grupo incorporou ao portfólio o Almenat, em Embu das Artes, que passa por reforma e vai integrar a bandeira Tapestry Collection by Hilton — inauguração está prevista para o terceiro trimestre

Depois de inaugurar um hotel na capital paulista em fevereiro, o Canopy by Hilton São Paulo Jardins, o grupo hoteleiro americano dobrou a aposta na retomada do turismo na região: vai abrir mais uma unidade no terceiro trimestre. Falamos do Almenat, que existe desde 1999 no município de Embu das Artes e está passando por uma reforma para se integrar à bandeira Tapestry Collection by Hilton, inédita na América do Sul.

A notícia da incorporação ao portfólio da rede não chama a atenção apenas pelo mísero estado no qual o setor de turismo se encontra, pelas rígidas restrições ainda impostas pela quarentena paulista e pelo sumiço dos turistas estrangeiros, que não devem voltar tão cedo. O inusitado da história é que o Almenat é um hotel especializado em convenções e eventos do tipo. “No Almenat tudo foi planejado para quem está a trabalho, e não a passeio”, informa o site do hotel, cujas operações estão suspensas desde que a pandemia se instalou no país.

É de concluir que o grupo Hilton aposta na retomada de convenções e companhia — sim, presenciais. “Globalmente, o turismo será retomado, mas cada mercado vai se reestabelecer de acordo com sua realidade”, diz Leonardo Lido, diretor de desenvolvimento da rede para o Brasil. “No nosso país levará mais tempo, porém os eventos corporativos de empresas locais tendem a ser retomados em breve. Por enquanto, o público do Almenat será majoritariamente doméstico”.

Pelo sim, pelo não, o hotel pretende se voltar também aos turistas de lazer, para os quais há atrativos como piscina, quadra de tênis, quadra poliesportiva, campo de futebol, trilha em meio à Mata Atlântica, oito pistas de boliche e quatro restaurantes. “A área verde é um chamariz para quem quer passar uns dias fora de casa neste contexto”, observa Lido, acrescentando que a rede criou protocolos rígidos para diminuir os riscos de transmissão do coronavírus em seus hotéis.

Lobby do Almenat Hotel Tapestry Collection by Hilton

Lobby do Almenat Hotel Tapestry Collection by Hilton (Reprodução/Divulgação)

O Almenat continua pertencendo aos antigos donos, que estão arcando com todos os custos da reforma — o investimento não é divulgado. Como é de praxe, a atuação do grupo hoteleiro se limita ao gerenciamento e ao empréstimo de seu know-how e fama planetária, que favorecem e muito os pedidos de reservas. O negócio foi firmado no terceiro trimestre do ano passado.

“Não quero desmerecer os independentes, mas os hóspedes tendem a se sentir mais seguros em hotéis de redes, o que se acentuou com a pandemia, para não falar das vantagens dos programas de fidelidade”, argumenta o executivo. “Por outro lado, sabemos exatamente qual é o publico-alvo para cada tipo de empreendimento, e como atrai-lo.”

Das 18 bandeiras do grupo, a Tapestry Collection by Hilton é uma das cinco consideradas upscale — estão abaixo das upper upscale e das mais luxuosas, como Conrad e Waldorf Astoria. Criada em 2017, a marca soma cerca de 70 unidades, a maioria delas nos Estados Unidos. “Os hóspedes da Tapestry Collection anseiam por uma experiência de hospedagem genuína, um lugar em que eles tenham a garantia de nunca ver a mesma coisa duas vezes, tudo combinado com o conjunto de padrões que vêm com o nome Hilton”, informa o grupo em seu site. O que significa “nunca ver a mesma coisa duas vezes” é um mistério.

Um dos quartos do Almenat Tapestry Collection by Hilton

Um dos quartos do Almenat Tapestry Collection by Hilton (Reprodução/Divulgação)

“São hotéis com identidade própria, que espelham as características da região da qual fazem parte”, explica Lido, acrescentando que os 145 quartos do Almenat serão decorados com o artesanato de Embu das Artes, que deu fama ao município. A data exata da inauguração, esclarece, depende da situação da pandemia no estado no segundo semestre.

O executivo confirma a inauguração de mais seis hotéis do grupo em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Todos para daqui 36 meses, mais ou menos — os seis estão sendo construídos do zero. “Mas nada impede de anunciarmos novas conversões, que costumam ser definidas bem mais rapidamente”, informa. Registre-se que quase metade das 14 propriedades do grupo inauguradas na América Latina e no Caribe no ano passado é fruto de conversões de hotéis sem bandeira — a meta para 2021 é acrescentar mais 20 unidades ao portfólio.

Instituída em maio de 1919, a rede é a líder global do setor. Com mais de 6.300 propriedades em 118 países e territórios, já hospedou mais de 3 bilhões de pessoas. “Mesmo com a pandemia, alcançamos a marca global de 1 milhão de quartos”, lembra Lido. “Soubemos navegar para atravessar essa tempestade. É um negócio resiliente”.

Barriga de porco servida no restaurante do Canopy paulistano

Barriga de porco servida no restaurante do Canopy paulistano (Reprodução/Divulgação)

Sobre o Canopy by Hilton São Paulo Jardins, que, com o repique da pandemia no Brasil fechou as portas temporariamente logo após a inauguração, diz que todas as expectativas estão se confirmando. “Não prevíamos a magnitude dessa segunda onda, mas sempre imaginamos que durante este ano ele navegaria explorando principalmente a área de alimentos e bebidas”, afirma, referindo-se ao restaurante Stella, aberto também a não hóspedes e disponível para delivery. O bar do rooftop, do qual se avista o Ginásio do Ibirapuera, ainda não tem data de estreia.

 

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