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Você pode estar cometendo o erro nº1 das entrevistas de emprego sem saber

Analista de Pessoas e Cultura da Refuturiza explica os hábitos que mais afastam vagas e como se preparar para testes comportamentais

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 14h36.

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O nervosismo diante do recrutador é apontado por 41,26% dos brasileiros como uma das principais dificuldades em um processo seletivo, segundo levantamento da Nube.

O dado ajuda a explicar por que tantos candidatos, mesmo qualificados, perdem oportunidades logo nas primeiras etapas, sem entender exatamente onde erraram.

Para Vitória Alves, analista de Pessoas e Cultura da plataforma de recrutamento Refuturiza, o problema raramente é falta de competência técnica.

É a forma como o candidato se comunica sob pressão. "Respostas muito genéricas, falta de exemplos práticos das experiências vividas e pouca clareza ao comunicar resultados e aprendizados acabam prejudicando o desempenho na entrevista", diz.

O erro nº1 não é o nervosismo, é fingir

Segundo Vitória, o problema central não é a ansiedade em si, mas a tentativa de adivinhar o que o recrutador quer ouvir. "Alguns candidatos tentam responder aquilo que acreditam que o entrevistador deseja ouvir, mas acabam apresentando informações que não sustentam ao longo da conversa ou em etapas posteriores", explica.

A recomendação é contraintuitiva para quem está ansioso por causar boa impressão: contar o que de fato aconteceu, mesmo que a resposta pareça menos impressionante. "Quando o candidato fala sobre experiências reais, suas respostas são naturais, coerentes e passam muito mais credibilidade", diz a especialista.

Não pesquisar sobre a empresa antes da conversa é outro deslize recorrente. "Vejo candidatos que se inscrevem em vagas sem analisar se têm aderência ao perfil, o que gera frustração para ambas as partes", afirma Vitória.

Doze hábitos que colocam a vaga em risco

Com base na experiência de recrutamento da Refuturiza, Vitória lista comportamentos que costumam pesar contra o candidato:

  • Falta de entusiasmo ou disposição visível pela vaga
  • Fazer perguntas precipitadas ou interrogar o entrevistador
  • Excesso de simpatia ou exagero emocional
  • Forçar intimidade com quem conduz a entrevista
  • Demonstrar arrogância ou resistência a críticas
  • Omitir informações ou se contradizer
  • Respostas longas, evasivas ou pouco objetivas
  • Falta de coerência ao se expressar
  • Falar sobre conflitos com colegas anteriores
  • Criticar empregos ou chefes do passado
  • Ser grosseiro com o recrutador
  • Não demonstrar gratidão pela oportunidade da entrevista

Nos testes comportamentais, não existe resposta certa

A mesma lógica vale para os testes comportamentais, que costumam gerar ainda mais ansiedade porque o candidato acredita haver um "perfil ideal" a ser alcançado. Não existe, segundo Vitória. "Os recrutadores buscam o perfil mais alinhado às atividades da função, à cultura da empresa e à equipe", resume.

Tentar acertar o teste, arriscando respostas que não refletem o comportamento real, tende a produzir o efeito contrário: inconsistências que comprometem a avaliação. "Quando o candidato dá respostas que refletem seu perfil real, ele facilita uma avaliação mais assertiva e aumenta as chances de encontrar uma oportunidade em que realmente tenha sucesso", diz.

Preparação prática também conta

Para entrevistas online, Vitória recomenda escolher um ambiente tranquilo e bem iluminado, além de testar áudio, vídeo e conexão com antecedência.

A recomendação vale tanto para a postura quanto para os detalhes práticos: "Durante a conversa, seja online ou presencial, ouça com atenção, responda com calma e seja sincero. A entrevista é uma troca: a empresa está conhecendo você, e você também está avaliando se aquela oportunidade faz sentido para a sua carreira", aconselha.

No fim, a entrevista deixa de ser um teste a ser vencido e passa a ser uma conversa a ser conduzida.

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