Redação Exame
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 14h19.
Aos 46 anos, Gene Yu acumula uma trajetória que desafia classificações simples. Ex-membro das Forças Especiais do Exército dos EUA, conhecidas como Boinas Verdes, ele também é graduado em Ciência da Computação pela Academia Militar de West Point, atuou como trader de ações em um grande banco e liderou o resgate de uma refém internacional.
Hoje, Yu é cofundador e CEO da Blackpanda, uma startup de cibersegurança especializada em resposta a incidentes digitais de alta gravidade. A empresa já arrecadou mais de US$ 21 milhões em rodadas de investimento, capital utilizado para acelerar seu modelo de atuação, inspirado diretamente em operações de resgate em zonas de conflito.
A Blackpanda aplica protocolos de gestão de risco e resposta imediata, semelhantes aos usados por seguradoras em casos de sequestro e terrorismo, para lidar com ataques cibernéticos. Um modelo de negócio com lógica de seguro digital em tempo real, desenhado a partir da vivência prática do próprio fundador. As informações foram retiradas de CNBC Make It.
A base de Yu está fincada na disciplina. Durante sua formação em West Point, ele mantinha uma rotina de 16 a 20 horas de trabalho por dia, seis dias por semana. “Sem férias de verão, acordando às 5 da manhã e indo dormir à meia-noite”, relatou à CNBC.
Essa intensidade moldou o que ele considera sua maior vantagem competitiva: a capacidade de trabalho extremo e o foco sob pressão, características que carrega para a gestão da Blackpanda. Mais do que um estilo de liderança, trata-se de uma filosofia operacional replicada na cultura da empresa.
A startup busca responder a incidentes digitais com velocidade, precisão e táticas tidas como militares, uma abordagem que tem atraído investidores e clientes em busca de soluções para a crescente vulnerabilidade cibernética das empresas.
Antes de fundar a Blackpanda, Yu enfrentou o que chama de “a batalha mais difícil”: a reconstrução da própria identidade após deixar o Exército. A saída foi motivada por conflitos de interesse, uma vez que seu tio, Ma Ying-jeou, havia sido eleito presidente de Taiwan em 2008.
Sentindo-se desconectado da missão que por anos guiou sua vida, ele mergulhou em um período de instabilidade emocional e financeira. Após passagens por instituições como a Johns Hopkins e o banco Credit Suisse, foi contratado pela Palantir Technologies, onde se sentiu finalmente encaixado — até ser demitido em 2013.
Desempregado e sem rumo, viu sua trajetória mudar novamente quando uma amiga da família foi sequestrada por um grupo terrorista no sudeste asiático. Yu coordenou o resgate, que durou 35 dias — uma operação que reacendeu seu senso de propósito e inspirou a criação da Blackpanda.
Yu percebeu que, assim como em crises físicas, ataques cibernéticos exigem respostas coordenadas, imediatas e especializadas — algo que o mercado de segurança digital ainda falhava em oferecer. “O que falta na segurança cibernética é justamente isso: replicar os modelos do mundo da segurança física no ambiente digital”, explicou à CNBC.
Essa visão se traduziu na proposta de valor da Blackpanda: oferecer suporte 24/7 para empresas em meio a incidentes cibernéticos, com uma equipe formada por especialistas em segurança digital e ex-militares, incluindo outros ex-Boinas Verdes.
Mais do que um diferencial técnico, a estrutura organizacional da startup é construída com base em conceitos de resiliência, prontidão e tomada de decisão em ambientes de alto risco, elementos caros ao mundo corporativo moderno, onde ameaças digitais podem paralisar operações em minutos.
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