Carreira

Pronto para viver e trabalhar até os 150 anos? Sua marca pessoal não pode ficar no século passado

O futuro pertence aos que sabem crescer, evoluir e se adaptar sem perder o que os torna únicos

A previsão é que, em média, um profissional passe por quatro ou mais carreiras ao longo da vida (Xavier Lorenzo/Getty Images)

A previsão é que, em média, um profissional passe por quatro ou mais carreiras ao longo da vida (Xavier Lorenzo/Getty Images)

Renata Vegha
Renata Vegha

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Publicado em 8 de abril de 2025 às 08h08.

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A primeira pessoa que viverá até os 150 anos já nasceu. Parece ficção científica, mas é uma hipótese respaldada por estudos e pesquisadores como David Sinclair, professor de Genética da Harvard Medical School, um dos maiores especialistas em longevidade. Se fomos ensinados a pensar em aposentadoria aos 60 ou 70 anos, o que muda quando a vida profissional pode se estender por mais de um século? Viver mais também desafia as empresas a repensarem suas culturas, modelos de trabalho e gestão de talentos para acompanhar a era de longevidade.

Segundo o relatório do Futuro do Trabalho de 2025, do Fórum Econômico Mundial, a longevidade e os avanços tecnológicos estão transformando não apenas como vivemos, mas também como trabalhamos. A previsão é que, em média, um profissional passe por quatro ou mais carreiras ao longo da vida. Isso significa o fim das trajetórias lineares e a necessidade de desenvolver habilidades de transição e reinvenção constantes.

Empresas na era da longevidade

Profissionais com diversas jornadas e habilidades adquiridas ao longo de múltiplas carreiras, este é o mercado com o qual as organizações precisarão lidar. Na prática, isso significa que a atração e retenção de talentos precisarão ser mais dinâmicas e coerentes com as novas expectativas dos funcionários.

O desafio estará na criação de ambientes que incentivem o aprendizado contínuo, a inovação e a flexibilidade. Empresas que entenderem essa dinâmica sairão na frente, valorizando perfis multidisciplinares e profissionais que trazem um repertório diverso e aplicável a diferentes áreas.

A assinatura pessoal: o que fica, mesmo quando tudo muda

Diante dessa realidade, a marca pessoal se torna um ativo essencial. Não importa quantas mudanças você enfrentar, sua identidade profissional precisa ser reconhecível e autêntica. Aquilo que é exclusivamente seu – sua abordagem, seus valores, sua forma de resolver problemas – é o que permitirá ser lembrado, indicado e ajudará a atravessar diferentes carreiras sem perder relevância.

A história já nos deu exemplos de transições bem-sucedidas, como Andy Warhol, que iniciou sua carreira como ilustrador comercial antes de se tornar um dos maiores nomes da Pop Art. Sua assinatura visual e conceito artístico são reconhecidos até hoje, inclusive no cinema, mesmo após sua morte.

Por falar em legado, David Lynch transitou entre o cinema, a música, a pintura e o design, mantendo uma identidade visual e criativa inconfundível. Isso não acontece somente em carreiras criativas.

Conhecido por sua trajetória no voleibol, Bernardinho expandiu sua atuação para os negócios e educação, sempre levando consigo a disciplina e a liderança como diferenciais. Arnold Schwarzenegger foi do fisiculturismo à atuação em Hollywood e, depois, para a política. O que os conecta? Uma identidade bem definida que atravessou suas diversas fases profissionais.

Uma marca pessoal que vença o tempo

É possível construir uma marca pessoal forte em um cenário de mudanças considerando os seguintes passos:

  • Autoconhecimento: antes de se aventurar em novas áreas, entenda seus talentos, valores e diferenciais. O entendimento e domínio das suas hard e soft skills, bem como dos seus valores, talentos e diferenciais, vai poupar tempo e trazer segurança para arriscar qualquer caminho.
  • Tudo é conhecimento: hoje, temos profissionais de TI que são presidentes de grandes empresas, filósofos à frente de bancos, engenheiros liderando startups. Em comum, essas posições exigem muito mais do que foi aprendido na graduação. A educação formal pode ser um caminho, mas desenvolver habilidades transversais é imperativo. Tudo é conhecimento.
  • Desaprender também é preciso: afinal, o que faz sentido agora pode não ter o mesmo valor amanhã. Nas palavras de Alvin Toffler, futurista norte-americano, “O iletrado do século 21 não será aquele que não sabe ler e escrever, será quem não sabe aprender, desaprender e reaprender”.
  • Networking: uma rede de contatos que confia em você é um ativo fundamental para abrir portas e viabilizar mudanças de rota.
  • Digital e offline integrados: seja qual for sua carreira, sua presença digital precisa refletir sua essência. De nada adianta ter um bom perfil e não viver isso no dia a dia.

O futuro pertencerá aos que sabem se reinventar

Se a longevidade nos proporcionará mais tempo para trabalhar e aprender, será essencial ter habilidades de adaptação e um olhar estratégico sobre a própria trajetória. A capacidade de construir uma identidade profissional forte e reconhecível permitirá transitar entre diferentes áreas sem perder relevância.

E se este é um dos movimentos globais que moldarão a Nova Era – como prevê o Fórum Econômico Mundial – as empresas também precisarão acompanhar essa evolução, investindo em ambientes mais flexíveis e em programas de aprendizagem contínua. Já os profissionais precisarão gerenciar suas marcas pessoais de forma consciente, garantindo que sua identidade e reputação se mantenham coerentes ao longo das múltiplas carreiras que escolherem trilhar.

Assim como uma direção de arte bem executada, onde é possível reconhecer o traço do artista em diferentes momentos e fases, a sua carreira será diferenciada e desenhada no tom que a sua verdade e suas skills determinarem. Sempre em evolução, ela se adaptará às demandas do mercado – e, ao mesmo tempo, influenciará essas mudanças. Você está pronto para viver (e trabalhar) até os 150 anos?

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