Haver, pagar, pegar: professor de português explica como usar esses verbos

Em sua coluna, o professor Diogo Arrais ensina sobre os verbos abundantes e alerta para enganos comuns na hora de usá-los
 (Ingram Publishing/Thinkstock)
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Diogo Arrais, professor de português (@diogoarrais)Publicado em 07/07/2020 às 14:30.

O Verbo é uma das mais importantes classes gramaticais de nossa Língua Portuguesa. Dentre esses verbos, existem os abundantes: aqueles que apresentam duas ou três formas.

O verbo haver apresenta "havemos e hemos"; construir possui "constrói e construi"; pagar, "pagado e pago"; secar, "secado e seco".

No geral, essa abundância ocorre no particípio e o uso gramaticalmente correto depende do verbo auxiliar. A forma regular do particípio (com final em –ado ou –ido) deve ser combinada com os auxiliares “ter” ou “haver”, como ilustra este exemplo:

“O poeta havia aceitado as biografias.”

Já a forma irregular do particípio – que se flexiona em gênero e número – deve ser combinada com os auxiliares “ser” ou “estar”:

“As biografias foram aceitas pelo poeta.”

É importante destacar que “chegar”, “comprar” e “trazer” não são abundantes. Por isso, não existem "foi compro", "foi trago", "tem chego".

Sob a ótica do uso, o verbo “pegar” acabou se tornando, no Brasil, abundante. Usando corretamente o verbo auxiliar, vale sim registrar:

“Ele tinha pegado a proposta comercial.”

ou ainda

“A proposta comercial foi pega (é ou ê) por ele.”

Sempre que possível, faça uma revisão sobre os verbos abundantes. Seu discurso pode ficar muito mais produtivo e elegante com a consciência em relação aos verbos auxiliares.

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DIOGO ARRAIS
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Professor de Língua Portuguesa
Fundador do ARRAIS CURSOS