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Empresas entram no 2° semestre sem revisar talentos e elevam risco de contratar errado, diz estudo

Atualizar o mapa de competências no meio do ano evita vagas abertas por urgência e reduz custo de recrutamento

Como pesquisar sobre a empresa antes da entrevista (Denis Novikov/Getty Images)

Como pesquisar sobre a empresa antes da entrevista (Denis Novikov/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 31 de julho de 2026 às 14h58.

Julho marca a virada do ano corporativo. Metade do orçamento já foi executada, metas foram revistas e o RH entra na reta final do ano com uma pergunta pendente: a empresa ainda sabe quem tem competência para o quê dentro de casa.

Para boa parte das organizações, a resposta é não. Um levantamento do ManpowerGroup mostra que a maioria dos empregadores brasileiros relata dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias, um problema que se repete ano após ano e que, segundo especialistas em gestão de pessoas, tem uma origem menos óbvia do que a escassez de talentos no mercado: a falta de atualização do mapa de competências interno.

A diferença entre o planejamento de janeiro e a revisão de julho

O mapa de talentos costuma ser tratado como exercício de início de ano, feito junto ao planejamento estratégico. Mas a lógica de julho é outra. Não se trata de projetar o que o negócio vai precisar, e sim de checar o que já mudou: quem saiu, quais áreas ganharam escopo novo, que competências se tornaram críticas e quais talentos internos estão prontos para assumir mais responsabilidade.

Sem esse diagnóstico, o risco é decidir sob pressão. Abrir vaga para preencher uma lacuna que poderia ser resolvida com um remanejamento interno, deixar de notar um profissional pronto para crescer ou contratar um perfil que já não corresponde à prioridade atual do negócio.

"O mapa de talentos não é um documento de RH, é uma ferramenta de estratégia de negócio. Quando ele não é revisado no meio do ano, a empresa continua tomando decisões com base em um cenário que muitas vezes já mudou", diz Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, dona do Pandapé.

O custo de contratar sob pressão

O impacto de uma contratação malfeita ultrapassa o salário da vaga. Segundo a Society for Human Resource Management (SHRM), reposição, integração e a produtividade perdida no processo podem levar o custo de uma contratação equivocada a até três vezes o salário anual da posição.

É esse tipo de gasto que a revisão de meio de ano tenta evitar. Ao cruzar histórico de desempenho, avaliações de performance, pesquisas de clima e movimentações internas, o RH consegue decidir com mais precisão entre contratar no mercado, desenvolver quem já está na equipe ou realocar um profissional para outra função.

"O segundo semestre costuma concentrar as entregas mais importantes do ano. É justamente nesse momento que o RH precisa saber quem está pronto para assumir novos desafios, quais competências ainda precisam ser desenvolvidas e onde realmente faz sentido contratar. Sem essa clareza, aumenta a pressão por contratações de última hora e decisões menos assertivas", diz Suzuki.

Talento subaproveitado é vaga desnecessária

Boa parte do problema não é a falta de gente, é a falta de visibilidade sobre a gente que já existe na empresa. Quando o RH não sabe nomear com precisão quem tem qual competência, tende a buscar no mercado externo uma solução que já estava disponível internamente, enquanto profissionais capacitados permanecem parados ou acabam pedindo demissão por falta de oportunidade de crescimento.

"Empresas que revisam periodicamente seu mapa de talentos conseguem identificar oportunidades internas antes de recorrer ao mercado. Além de reduzir custos e acelerar contratações, elas tomam decisões mais consistentes porque trabalham com dados atualizados sobre as pessoas e as necessidades do negócio", conclui Suzuki.

Chegar ao segundo semestre sem esse retrato atualizado não é apenas uma falha de processo. É abrir mão de uma vantagem competitiva que já está dentro da própria folha de pagamento.

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