Carreira

Empregadores falam que entrevistas com IA podem revelar candidatos que poderiam passar despercebidos

Chatbots já avaliam profissionais de escritório e mudam as regras para quem tenta chegar à conversa com um humano

5. A comunicação é ativa e está presente durante todo processo  (Thinkstock)

5. A comunicação é ativa e está presente durante todo processo (Thinkstock)

Publicado em 22 de julho de 2026 às 15h12.

Ao entrar em uma entrevista de emprego, o profissional de tecnologia Bijo Thomas encontrou Sophie: uma recrutadora virtual com aparência humana, capaz de sorrir, gesticular e formular novas perguntas ao longo de uma conversa de 30 minutos. 

Thomas avançou, participou de outras duas entrevistas com pessoas e foi contratado como arquiteto sênior de soluções de inteligência artificial pela Experis. O caso antecipa uma mudança no recrutamento onde chatbots começam a ocupar a primeira conversa de processos seletivos para vagas corporativas.

Antes concentradas em contratações de grande volume para áreas como varejo, indústria e atendimento, as entrevistas conduzidas por IA passaram a ser usadas em posições de tempo integral abaixo do nível de diretoria. 

Empresas como Coinbase, Zapier e Experis já adotaram ou testam a tecnologia para entrevistar mais pessoas antes de encaminhar os perfis a um recrutador. As informações foram retiradas do Business Insider.

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O chatbot começa a ocupar a primeira entrevista

Esses sistemas assumem formatos diferentes em que alguns utilizam avatares animados e outros aparecem apenas como uma voz ou uma imagem estática. Em comum, fazem perguntas estruturadas, analisam respostas e podem gerar resumos, avaliações ou pontuações para apoiar a decisão humana.

Na Coinbase, o entrevistador virtual Milo começou a ser usado em 2025 para diversas vagas abaixo do nível de diretor. Desde a adoção da ferramenta, mais de 240 contratados passaram inicialmente pela triagem do bot. A empresa recebe cerca de 1,5 milhão de candidaturas por ano — um volume impossível de ser entrevistado integralmente por uma equipe de recrutamento.

A Zapier seguiu caminho semelhante depois que algumas vagas atraíram milhares de inscrições em poucas horas. A companhia afirma que o sistema permitiu entrevistar até cinco vezes mais candidatos. 

Em um projeto-piloto para engenharia de software, 30% dos profissionais que avançaram até o gestor não teriam sido entrevistados pelo modelo tradicional, devido à limitação de tempo da equipe.

Entrevistas com IA já chegaram à rotina dos candidatos

Uma pesquisa da plataforma de recrutamento Greenhouse, realizada com 2.950 pessoas em busca ativa de emprego nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Austrália, mostra que as entrevistas automatizadas deixaram de ser uma experiência incomum.

Nos Estados Unidos, 63% dos participantes afirmaram ter passado por uma entrevista com IA nos 12 meses anteriores. O índice ficou em 57% na Alemanha, 54% na Austrália, 47% no Reino Unido e 36% na Irlanda.

A expansão está ligada, em parte, ao aumento do número de candidaturas. Ferramentas de IA facilitaram a produção de currículos e cartas, permitindo que profissionais concorram a mais oportunidades.

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O que muda na preparação do candidato

Uma entrevista com chatbot reduz parte dos recursos utilizados nas conversas tradicionais. Não há linguagem corporal do recrutador para interpretar, conversa informal para construir proximidade ou possibilidade de ajustar a resposta de acordo com a reação de quem está do outro lado.

Isso aumenta a importância de respostas claras e estruturadas. O candidato precisa explicar o contexto, sua responsabilidade, as ações tomadas e os resultados alcançados sem depender de pistas do interlocutor.

Exemplos concretos ganham força. Em vez de afirmar que possui boa capacidade de liderança, é mais eficaz narrar uma situação em que coordenou um projeto, enfrentou um problema e produziu determinado resultado.

Também é necessário tratar a etapa como uma entrevista real. Testar câmera, microfone e conexão, pesquisar a empresa e preparar experiências relacionadas à vaga continuam sendo cuidados básicos. A diferença é que o profissional talvez precise sustentar suas respostas sem a troca humana que costuma tornar a conversa mais natural.

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